Medo da extinção assombra fórum global de conservação

Congresso Mundial de Conservação da União Internacional para a Conservação da Natureza começou nesta quinta-feira (6) na Coreia

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O maior fórum mundial de preservação da biodiversidade foi aberto nesta quinta-feira (6) na Coreia do Sul, sob a sombra do alerta de que o modelo negligente de desenvolvimento está arruinando a saúde do planeta, empurrando milhares de espécies para a extinção.

"Para salvar a Terra, todos os países devem trabalhar juntos, reconhecendo que compartilham um destino comum", afirmou o presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, durante a cerimônia de abertura do Congresso Mundial de Conservação.

Lee afirmou que o estado do mundo natural foi "severamente comprometido" com o desenvolvimento desenfreado, que reduz a biodiversidade, levando quase 20.000 espécies à beira da extinção.

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"Nós não podemos imaginar formas de resolver as mudanças climáticas, a pobreza ou a falta de água, de comida e de recursos energéticos separadas da natureza", acrescentou o presidente.

Mais de 8.000 autoridades governamentais, membros de ONGs, cientistas e diretores de empresas de 170 países estão no resort da ilha sul-coreana de Jeju para o congresso de 10 dias dedicado ao meio ambiente e à biodiversidade.

A conferência quadrienal é realizada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), cujo presidente, Ashok Khosla, reforçou a necessidade de uma abordagem holística socioeconômica dos esforços de conservação.

"As políticas e as ações de preservação não podem ser bem sucedidas no longo prazo a menos que os países e as comunidades usem seus recursos de forma eficiente, distribuam os benefícios de forma justa e deem poder a seus cidadãos ativa e inclusivamente", declarou Kosla.

A conferência é realizada tendo como pano de fundo alertas científicos de um risco de extinção em massa, quando espécies lutam para sobreviver em um mundo de habitats esgotados, afetadas pela caça e sufocadas pelas mudanças climáticas.

Em um relatório publicado durante a cúpula Rio+20 sobre sustentabilidade, em junho, a IUCN informou que das 63.837 espécies analisadas, 19.817 correm risco de extinção.

A atualização de sua "Lista Vermelha" identificou como ameaçadas 41% das espécies de anfíbios, 33% dos corais construtores de recifes, 25% dos mamíferos, 20% das plantas e 13% das aves.

Muitas delas são essenciais aos seres humanos, fornecendo alimento, trabalho e constituindo uma piscina genética para melhores cultivos e medicamentos, acrescentou o relatório da organização.

Especialistas afirmam que apenas uma parte dos milhões de espécies da Terra, muitas delas microscópicas, foram formalmente identificadas.

Nos últimos anos, biólogos descobriram novas espécies de rãs e aves em florestas tropicais, uma prova de que a biodiversidade do planeta é apenas parcialmente conhecida.

"Das espécies que conhecemos, centenas de extinções ocorreram entre aves e dúzias entre anfíbios; quanto aos invertebrados e aos insetos, realmente não sabemos quantos podemos ter perdido", disse no mês passado Tim Blackburn, diretor do Instituto de Zoologia da Sociedade Zoológica de Londres.

Os países-membros das Nações Unidas se comprometeram, ao assumirem as Metas de Desenvolvimento do Milênio, reduzir a taxa de perda da biodiversidade em 2010, mas estão longe da meta.

Após este fracasso, estabeleceram "um plano estratégico para a biodiversidade" segundo o qual prometeram evitar a extinção das "espécies mais conhecidas".

Com 11.000 cientistas voluntários e mais de 1.000 funcionários pagos, a IUCN realiza milhares de estudos de campo ao redor do mundo para monitorar e ajudar a gerir os ambientes naturais.

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