Menino havia relatado sonho de fugir de casa e matar os pais, afirma delegado

Por Wanderley Preite Sobrinho , iG São Paulo | - Atualizada às

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Garoto de 13 anos é o principal suspeito de ter matado quatro pessoas da família e se matado em São Paulo

O delegado Itagiba Vieira Franco, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou nesta terça-feira (06) que os primeiros indícios de que o menino de 13 anos seja o autor da própria morte e de mais quatro pessoas da família - incuindo os pais -, na zona norte de São Paulo, estão se confirmando. Além das provas encontradas na cena do crime que apontam para o garoto, o depoimento de um dos seus melhores amigos revelou que o menino já havia falado sobre matar os pais, fugir de casa com o carro da família e ser matador de aluguel.

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Polícia faz perícia na casa da família de PMs, assassinados na Vila Brasilândia. Foto: Edison Temoteo/Futura PressCâmeras de segurança mostram momento em que garoto vai à escola no início da manhã de segunda-feira (05). Foto: Futura PressFoto em site de relacionamento mostra casal de policiais militares e o filho. Foto: ReproduçãoCarro da polícia patrulha a rua da residência onde foram encontrados os cinco corpos (06/08). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressViatura policial em frente a residência no dia (06), na Vila Brasilândia. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGCasa onde foram encontrados os cinco corpos no bairro da Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressPoliciais em frente a casa na Brasilândia, na manhã de terça-feira (06/08). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressParte do portão e do muro da casa onde o corpos foram encontrados, na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressA porta de entrada da casa do policias encontrados mortos na segunda-feira (05/08). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressAuto de lacração na casa onde foram encontrados os cinco corpos. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressDetalhe do portão da casa do policiais mortos em São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressCasa onde foram encontrados os cinco corpos na segunda-feira (05/08), no bairro da Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo. Foto: Marcos Bezerra/Futura PressPoliciais em frente ao portão da casa na tarde de terça-feira (06), em São Paulo . Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGFachada da escola onde estudava o menino de 13 anos. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGA escola do garoto também fica na zona norte de São Paulo. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGO delegado Itagiba Vieira Franco, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso . Foto: Eduardo Ferreira/Futura PressO delegado geral da Polícia Civil, Luiz Mauricio Blazeck chegando ao DHPP, na quinta-feira (8). Foto: Futura PressColégio Stella Rodrigues, na zona norte de São Paulo, onde estudava o garoto . Foto: Futura PressResidência da família Pesseghini amanheceu pichada na sexta-feira (09). Foto: Futura PressPedestres caminham e observam a casa número 42 da família Pesseghini, na sexta-feira (09). Foto: Carolina Garcia/iG São PauloFachada do colégio onde o menino estudava em São Paulo, uma semana depois do crime. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGMovimentação em frente ao colégio na volta às aulas (12/08). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGMovimentação de policiais em frente a escola na Freguesia do Ó, em São Paulo, nesta segunda-feira (12). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGMuros da casa pichados nesta manhã de segunda-feira (12). Foto: Wandeley Preite SobrinoPara chegar até a casa, pichadores precisaram pular os muros. Foto: Wandeley Preite SobrinoCasa ao lado direito da residência dos Pesseghini também foi pichada. Foto: Wandeley Preite SobrinoPortão da casa estava pichado desde a semana passada.. Foto: Wandeley Preite SobrinoMuro em frente à casa onde ocorreu o crime também foi pichada. Foto: Wandeley Preite SobrinoDona da casa reclamou das pichações em seu muro. Foto: Wandeley Preite SobrinoNotícia do crime completa uma semana nesta segunda-feira (12). Foto: Wandeley Preite SobrinoMoradora tenta apagar as pichações no muro de sua casa. Foto: Wandeley Preite SobrinoOração fixada no portão da casa onde aconteceu as cinco mortes em São Paulo. Foto: Wandeley Preite Sobrino

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"Ele sempre me chamou para fugir de casa para ser matador de aluguel. Ele tinha plano de matar os pais enquanto eles dormissem e fugir com o carro", teria afirmado o amigo para a polícia. "Na minha opinião, ele concretizou o desejo. O inquérito não está terminado, mas tudo leva a crer que foi o menino", afirmou Franco.

Wanderley Preite Sobrinho/iG
O diretor em exercício do DHPP, Francisco José de Migueli, e o delegado Itagiba Vieira Franco

Os principais indícios que apontam o jovem como autor dos assassinatos são a localização da arma do crime, que foi encontrada próxima a seu corpo, e a posição das outras vítimas, que devem ter sido mortas enquanto dormiam. O garoto também seria canhoto e a marca de tiro está do lado esquerdo de sua cabeça.

“A mãe estava de joelhos e braços cruzados na frente da cabeça, o pai estava de bruços e o garoto na lateral. Na casa ao lado, a mãe e a tia da policial morta pareciam dormindo placidamente cobertas com a luz acessa. Não é usual [a cena], teria briga, gritaria, reação do policial. Tudo se resumiu a algo muito particular, familiar", explicou o delegado.

Além disso, a análise de imagens de câmeras de segurança que mostram o carro da policial Andreia Regina Bovo Pesseghini, mãe do menino, estacionando em frente à escola em que o menino estuda, indicam que ele foi dirigindo sozinho até a escola durante a madrugada. O amigo que falou sobre o plano do garoto confirmou que quem sai do carro nas imagens gravadas na manhã de segunda-feira é o suspeito do crime. A chave do carro também foi encontrada na jaqueta do menino.

A perícia inicial revelou que cada vítima foi atingida por um tiro, na cabeça, com uma arma de calibre 40. Não foi encontrado nenhum outro cartucho de arma que pudesse ter sido usada no crime. Outra perícia mais detalhada ainda será realizada no local.

Wanderley Preite Sobrinho/iG
Policiais em frente ao portão da casa na tarde desta terça-feira (06), em São Paulo

No local ainda foi encontrada uma mochila, que seria do menino, com uma faca e uma arma calibre .32, que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, está registrada em nome do pai de Andreia, já morto.

Luiz Marcelo Pesseghini era sargento das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e estava na corporação há 19 anos; sua mulher, Andreia Regina Bovo Pesseghini, era cabo da 1ª Companhia do 18º Batalhão da Polícia Militar, com base na Freguesia do Ó, também na zona norte, e era PM há 16 anos. Também foram mortas a mãe de Andreia, Benedita de Oliveira Bovo, de 65 anos, e uma irmã dela, Bernardete Oliveira Silva, de 56, que ocasionalmente dormia na mesma casa. 

Franco ainda comentou sobre hábitos que o garoto teria em casa, percebidos após a perícia no local. "No quarto do menino foi encontrado grande quantidade de armas de brinquedo. Ele montou o colete de papelão como se fosse escudo da tropa de choque e montou um coldre de papelão", revelou.

Mais depoimentos

Outros dois depoimentos colhidos na manhã desta terça-feira reforçaram a tese da polícia para a autoria do crime. Uma professora do menino e o pai do amigo, que deu carona para ele ontem, foram ouvidos no DHPP.

"Na manhã de hoje foram convocadas as testumunhas, incluindo professores dos garotos. Uma professora disse que na manhã de segunda, Marcelo indagou se ela já havia dirigido um carro quando menor ou atingido os pais de alguma maneira", disse o delegado, explicando que a professora achou a pergunta estranha, mas que teria respondido de forma profissional.

Marcos Bezerra/Futura Press
A porta de entrada da casa do policias encontrados mortos nesta segunda-feira

Já o pai do amigo, que levou o menino da escola para a sua casa, em um momento que os crimes já teriam ocorrido, contou que o garoto pediu que não buzinasse na frente de sua casa porque o pai estaria dormindo. "Ontem depois da aula, ele voltou para casa com o pai do melhor amigo que deu carona. No caminho, ele disse que tinha visto o carro de sua mãe por perto. Ele foi até lá, abriu o carro, pegou alguma coisa e voltou para a carona. Ao chegar, ele evitou que qualquer pessoa se aproximasse da casa e disse que os pais estavam dormindo", relatou Franco.

O delegado informou ainda que foi apreendido o computador do menino para averiguação e que um laudo que sairá em aproximadamento em 30 dias dirá se as vítimas estavam sedadas.

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