Fernando Grella diz que encontro servirá para que o protesto, marcado para amanhã, aconteça sem violência; ele também afirmou que 'ninguém será detido por levar vinagre'

Desgastados pela repercussão negativa da atuação a Polícia Militar na manifestação de quinta-feira (13) contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública do Estado e o Comando Geral da PM convidaram neste domingo (16) as lideranças do Movimento Passe Livre (MPL) para uma reunião às 10h de segunda-feira (17), data marcada para ocorrer a quinta passeata contra o reajuste.

Acompanhado do comandante-geral da PM, Benedito Roberto Meira, o secretário Fernando Grella Vieira justificou a coletiva de imprensa no auditório da Secretaria afirmando que ela se tratava na verdade de um “convite para que as lideranças do MPL se reúnam amanhã cedo”, por volta das 10h. “Queremos que os manifestantes exerçam seu papel de protestar e queremos garantir que quem trabalha e estuda e não quer fazer parte protesto possam fazê-lo da melhor forma possível.”

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O objetivo do encontro, de acordo com Grella, é conhecer o trajeto proposto pelos estudantes para que seja feito “um ordenamento do trânsito com bloqueio de ruas adjacentes”. “A PM tem condições de planejar com horas de antecedência para reduzir o incômodo e proteger os manifestantes”, disse ele. “São Paulo é uma cidade livre, em que se pode exercer a cidadania […] Queremos avisar a população sobre o trajeto dessa manifestação para que quem não quiser participar do ato possa planejar melhor suas vidas.”

O comunicado para a imprensa foi feito antes do convite formal. “Temos alguns nomes e vamos fazer esse contato por telefone, mas queremos o auxílio da imprensa para divulgar.”

O secretário disse ainda que nenhum policial está autorizado a atirar. “O objetivo é garantir a manifestação pacifica sem confronto, mas situações isoladas podem ser objeto de abordagem.”

Questionado sobre a prisão de manifestantes que portavam vinagre para combater os efeitos das bombas de efeito moral, o secretário foi taxativo: “Ninguém vai ser detido por levar vinagre [...] o que ocorre é que o policial se depara com o liquido e não sabe do que se trata, por isso houve a detenção de alguns.”

O comandante-geral comentou a informação divulgada na imprensa de que havia policiais infiltrados entre os manifestantes nas últimas passeatas. “Temos PMs que trabalham em trajes civis, não para bisbilhotar a vida de ninguém, mas para acompanhar as ações da própria polícia.”

O secretário negou que sua imagem esteja desgastada diante dos policiais. “Não há problema nenhum. Temos abertura suficiente do alto-comando para tomar nossas medidas. Não tem nenhum fundamento esse tipo de informação.”

Fotógrafos

Grella Vieira também recebeu uma carta de representantes de jornalistas fotográficos. Nela, os profissionais repudiam o uso de bala de borracha contra a imprensa e informam que amanhã usarão um colete com identificação própria. O secretário agradeceu pela carta e disse que “a identificação, ela será muito útil.”


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