Nova onda de ataques põe polícia de São Paulo em alerta total

Patrulhamento foi reforçado em São Paulo após execução de sete PMs e outros ataques.  Mais agentes estão nas ruas e a segurança foi reforçada na capital paulista

Alexandre Dall´Ara - iG São Paulo | - Atualizada às

Após nova onda de ataques à polícia - que resultou em ao menos sete PMs executados - agentes que fazem o patrulhamento no Estado trabalham em alerta total. Mais policiais estão nas ruas e a segurança foi reforçada na capital paulista.

As mortes:  Trinta e nove policiais foram mortos fora de serviço neste ano, segundo PM

“Não sei se é o PCC (Primeiro Comando da Capital), mas é possível que seja. Os boatos dizem que têm 50 policiais para morrer. Não são policiais marcados, é um número", afirma um comandante da PM que pediu para não ser identificado. 

AE
Blitz da polícia militar na região central de São Paulo. A atenção foi reforçada após recentes ataques

Nesta segunda-feira, o iG percorreu diferentes regiões de São Paulo para saber como os agentes estão reagindo e trabalhando após os ataques que mataram pelo menos sete agentes em horário de folga desde o dia 30 de março, data em que policiais da Rota mataram durante uma ação seis suspeitos de integrar o PCC .

Leia também:  "Execução de PMs é retaliação ao trabalho da polícia," diz diretor do DHPP

No centro da cidade, em uma base de policiais no Brás, uma agente que não quis se identificar confirmou que o patrulhamento à noite é feito por um efetivo maior, mas não quis precisar quanto e justificou: "Você pode ser da facção. Qualquer um pode chegar aqui e perguntar. Não podemos dar endereços das bases. Tudo por uma questão de segurança", afirmou.

Outros ataques : Bandidos queimam ônibus e atacam base da PM em Diadema

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Base Móvel da PM em frente ao parque Trianon, na avenida Paulista

A onda de ataques mudou a rotina por patrulhamentos na cidade. Os agentes estão em alerta mesmo em regiões onde não foram registrados atentados. "A orientação é para redobrar a atenção no horário de folga. Os casos aconteceram em horário de folga. Agora, quando há uma ocorrência, vai uma viatura para apoio, as viaturas não saem sozinhas", diz o tenente Costa Lopes, que trabalha na base da PM do Parque Trianon, na região da avenida Paulista.

O tenente-coronel José Luiz Campo, comandante do 7º Batalhão da PM, confirma que o trabalho policial foi reforçado e que os agentes estão trabalhando com armamento pesado. "Estamos em condição operacional de alerta. Pode acontecer dos agentes portarem armamento de calibre maior e também fazemos alguns bloqueios. Mas não estamos como em 2006 ( ano do ataque do PCC ). É preciso cuidado para não criarmos um monstro, mas não podemos deixar de ver o que está acontecendo", diz.

Segundo o tenente, o aumento no número de bloqueios policiais ocorridos durante o fim de semana ocorreu também por conta dos recente arrastões registrados na cidade. "Aqui estamos em um momento em que essa situação coincidiu com os casos de arrastão, por isso os bloqueios".

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Motos da PM e carro da Guarda Civil em frente ao 8º Distrito Policial, no Brás, na região central da capital

Na zona leste, onde ocorreu a maioria dos casos de execução de PMs, o sargento Eduardo, comandante do 8º Batallhão, que fica na região do Tatuapé, informa que recebeu uma base móvel extra. “Recebemos reforço com quatro policiais e armas de grosso calibre para o caso de enfrentamento. Se acontecer alguma coisa, estamos preparados".

Para aumentar o número de policiais nas ruas, agentes que trabalham dentro dos batalhões foram deslocados para o patrulhamento para aumentar a situação de segurança da população. “As pessoas da parte interna estão indo para o operacional para aumentar o efetivo”, diz o sargento.

Os sete executados

Sete mortes aconteceram desde 30 de maio. Seis delas nos últimos 12 dias, sendo que nos últimos quatro dias foram registrados quatro casos, um por dia. Veja abaixo quais foram os sete últimos executados, em uma sucessão de crimes considerada por Jorge Carlos Carrasco, diretor do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), uma “retaliação” dos criminosos ao trabalho da Polícia Militar.

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