Mulher confessa ter matado e esquartejado executivo da Yoki

Elize Matsunaga prestou depoimento na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, em São Paulo. Segundo a polícia, ela confessou ter assassinado o marido sozinha

Fábio Matos , iG São Paulo | - Atualizada às

AE
Elize Matsunaga, mulher do executivo assassinado

Em depoimento que durou cerca de 8 horas na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo, a bacharel em Direito Elize Kitano Matsunaga confessou ter matado o marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, ex-diretor da Yoki Alimentos, após uma discussão entre os dois no apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo. Segundo o diretor do DHPP, delegado Jorge Carrasco, o crime foi passional, como já suspeitavam os investigadores. Elize disse ter agido sozinha, mas a polícia ainda investiga se ela teve ou não ajuda de mais alguém para se desfazer dos pedaços do corpo de Marcos.

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“Hoje nós interrogamos aquela pessoa que eu já posso chamar de autora do homicídio. Ela confessou espontaneamente. Não quer dizer que a investigação tenha terminado”, afirmou Carrasco, que conversou com os jornalistas durante o interrogatório de Elize. “Mas ela confessa que é a autora do homicídio e diz que praticou o crime sozinha. Ela também reafirma a tese de que o crime é passional.”

De acordo com o depoimento de Elize à polícia, o casal teve uma discussão conjugal no apartamento e Marcos teria agredido a esposa. Elize reagiu pegando uma arma e dando um tiro à queima-roupa na cabeça do empresário. Em seguida, teria arrastado o corpo até o banheiro dos fundos, onde aconteceu o esquartejamento. A polícia ainda investiga se ela agiu mesmo sozinha ou contou com a ajuda de terceiros. Elize também teria contratado um detetive para investigar o marido, com suspeitas de que ele tivesse um caso extraconjugal. A polícia investiga essa possibilidade.

Ao contrário do que era especulado, a arma utilizada por Elize para matar o marido tinha calibre 380, e não 765. “A arma já está apreendida. E as partes do corpo estavam naquelas malas que ela carregava quando saiu do apartamento”, disse Carrasco. “Ela fez a desova do corpo na região de Cotia.” Rastreamento do celular dela indica que ela foi para Cotia após ter saído do prédio com malas.

Após a morte do marido, Elize doou três armas da coleção pessoal de Marcos à Guarda Civil Metropolitana (GCM), supostamente para a campanha do desarmamento – entre elas não estava a de calibre 380 usada no crime.

O diretor do DHPP justificou o fato de a perícia inicial feita no apartamento do casal não ter encontrado marcas de sangue no banheiro. “O apartamento era muito grande e foi feita uma primeira perícia. Essa perícia vai continuar. E este banheiro (onde o corpo de Marcos foi esquartejado) não tinha sido periciado”, contou Carrasco.

Após a entrevista do delegado, o advogado contratado pelos pais de Marcos, Luiz Flávio Borges D’Urso, disse que agora a família da vítima está mais “confortada”. “Ainda não se encerra a investigação, mas estamos próximos de fechar tudo isso. O principal, que era saber o autor desse homicídio, surgiu. A família está triste, chocada, mas hoje está mais confortada”, afirmou.

“Em uma investigação criminal, a confissão da pessoa é um dos elementos de prova. Importantíssimo, aliás. Dificilmente quem não tem culpa confessa. Mas esse elemento deve estar em sintonia com outros elementos de prova que foram colhidos”, continuou D’Urso.

Entenda o caso

Várias partes do corpo de Marcos foram encontradas no dia 27 de maio, na região de Cotia, inclusive a cabeça. No dia seguinte, houve o reconhecimento formal do corpo pelos familiares do empresário. De acordo com os investigadores do DHPP, durante toda a madrugada da última terça-feira foram feitas diligências pelos policiais no apartamento do casal, na zona oeste de São Paulo, nas quais foi utilizado luminol, um reagente químico que localiza manchas de sangue. Essa perícia deve continuar durante esta quarta.

De acordo com os investigadores, o casal chegou junto ao prédio onde morava no dia 19 de maio, na companhia da filhinha de pouco mais de 1 ano e das empregadas que trabalhavam no apartamento. No dia seguinte, os empregados foram dispensados e Elize e Marcos ficaram sozinhos com a criança no local. No dia 19, as câmeras do circuito interno registram o ex-diretor da Yoki descendo para pegar uma pizza – ele não seria mais visto a partir de então. No dia 20, Elize deixa a residência por volta das 11h30, carregando malas, e fica 12 horas ausente. Uma babá teria retornado ao apartamento, às 5 horas da manhã. Mas Elize só volta às 23h50, sem as malas.

Este foi o primeiro depoimento formal de Elize aos investigadores. Até então, ela havia falado apenas informalmente e negado qualquer envolvimento com a morte do marido. Hoje, confessou o crime.

Elize chegou à sede do DHPP por volta das 10h desta quarta-feira, acompanhada pelo advogado José Beraldo, que depois afirmou que não assumiria o caso. A bacharel em Direito será defendida pelo advogado Luciano Santoro.

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