Policiais entram em greve e cobram reajuste de 65% em Pernambuco

Segundo o governador Eduardo Campos,  não há possibilidade de reajuste diante da crise  que tem atingido Estados e municípios

Agência Estado |

Agência Estado

Policiais civis de Pernambuco iniciaram, nesta segunda-feira (23), uma paralisação por tempo indeterminado. O sindicato da categoria (Sinpol-PE) reivindica 65% de reajuste salarial e melhores condições de trabalho e equipamentos de segurança. Pernambuco tem cerca de seis mil policiais. O salário inicial da categoria é de R$ 2,6 mil.

Outros Estados:
Dezembro:  Greve da Polícia Militar do Maranhão chega ao fim
Janeiro:  Com greve de policiais, Fortaleza entra em pânico e lojas fecham
Janeiro:  Polícia Militar e bombeiros paralisam atividades no Pará
Fevereiro: Assembleia decreta o fim da greve da Polícia Militar na Bahia
Fevereiro:  Polícias Civil, Militar e bombeiros entram em greve no Rio

A procuradoria Geral do Estado entrou à tarde com ação cível na justiça pedindo a ilegalidade da greve, por atingir um setor considerado essencial, e o secretário estadual de Defesa Social, Wilson Damázio, informou que quem faltar ao trabalho poderá ter o ponto cortado.

O governador Eduardo Campos (PSB) antecipou não haver possibilidade de reajuste diante da crise na economia que tem atingido também Estados e municípios, com queda nas receitas. Segundo Campos, o governo vem cumprindo um acordo realizado com a categoria no ano passado - visando um aumento real de 47% até 2014 - sem chance de revisão. Em junho foi concedido 8,4% de reajuste, dentro do acordo.

"O que tivemos em junho foi reposição de perdas inflacionárias", afirmou o presidente do Sinpol-PE, Claudio Marinho, ao destacar que Pernambuco paga o vigésimo pior salário do País. Segundo ele, o programa de segurança do governo, Pacto pela Vida, tem conseguido reduzir a violência no Estado à custa dos baixos salários dos policiais. "Em Pernambuco, um policial alcança o salário de R$ 4,5 mil depois de 30 anos de serviço; em Sergipe, o salário inicial da categoria é de R$ 4,1 mil", destacou. "Só quem está lucrando é o governo, que mostra os louros de uma política de segurança pública que não beneficia os policiais".

Na sua avaliação, 70% da classe aderiu à paralisação e 30% está trabalhando para manter em funcionamento os serviços de flagrante e perícia em locais de crime, conforme prevê a legislação. Para o secretário-geral da polícia civil, Osvaldo Moraes, apenas 30% da classe está em greve. A população já se ressente da paralisação, com dificuldade para prestar queixas. A polícia tem tentado estimular a realização de boletim de ocorrência pela internet.

Moraes considerou o movimento "inoportuno", diante do esforço para atender à categoria: aumento do efetivo em 640 policiais civis, aumento da gratificação da hora de folga de 180% a 350% (dependendo da categoria) e a troca de coletes velhos por novos (uma das reivindicações dos grevistas) que, segundo ele, teve início semana passada.

De acordo com o Sinpol, até a quinta-feira (26), quando será realizada nova assembleia para avaliar o movimento, os grevistas não farão mobilizações ou protestos nas ruas.

    Leia tudo sobre: grevePolícia Civilparalisação

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG