Belo Horizonte é a primeira capital a banir sacola plástica

A partir do próximo dia 28, elas terão de ser substituídas por sacos de pano ou feitas de materiais biodegradáveis

Denise Motta, iG Minas Gerais | 24/02/2011 10:30

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As tradicionais sacolinhas plásticas de polietileno sumirão da cidade de Belo Horizonte nos próximos dias. A lei 9.529/2008, que proíbe o uso do material, irá vigorar a partir de 28 de fevereiro e os comerciantes correm para se adequar à nova norma. A cidade é a primeira capital do País a tomar essa medida, que já vigora em diversos municípios do Brasil. No Rio de Janeiro, a proibição começa em julho deste ano, com o fim do período de adaptação.

Márcia Figueiredo, 45, proprietária de uma papelaria, está acabando com o estoque de sacolas plásticas, mas ainda não sabe se adotará uma alternativa semelhante. “Vamos vender sacolas de pano, já encomendei sacolas de brim. A iniciativa é positiva, mas estamos tendo dificuldades, pois os fornecedores não possuem o material biodegradável”, diz a comerciante.

O projeto de lei é uma iniciativa do vereador Arnaldo Godoy (PT). Ele explica que, depois de ser procurado por ambientalistas, apresentou o projeto em 2007, com a proposta de um prazo de três anos para os comerciantes se adequarem. O prazo vence no próximo dia 28, ressalta ele. “As sacolas de plástico de polietileno demoram de 300 a 400 anos para se decompor. Já as biodegradáveis levam 18 anos. Teremos multas de R$ 1.000, depois a multa aumenta e o comerciante pode até perder o alvará de funcionamento se não seguir a lei”, conta ele.

Entre os problemas causados pelas tradicionais sacolas plásticas o vereador lembra da dificuldade de decomposição do lixo orgânico em aterros sanitários, o entupimento de bueiros que causam enchentes, além da impermeabilização do solo.

Gerente de uma locadora de vídeos, Lucas Fernando, 21, diz que o setor de marketing da empresa está pesquisando valores para saber qual a alternativa mais viável na substituição da sacola plástica. Ele conta que a rede de quatro locadoras utiliza uma média de cinco mil sacolas por mês. A ideia, diz o gerente, é continuar a fornecer gratuitamente o produto para os clientes.

Algumas redes de supermercado, entretanto, irão cobrar dos consumidores pela sacola biodegradável. O vereador autor da proposta recomenda aos consumidores que procurem estabelecimentos que forneçam gratuitamente o produto. “Os empresários de grandes redes de supermercados têm condições de arcar com os custos, mas irão repassar para o cliente. O consumidor precisa ficar atento e procurar uma rede que forneça a sacola de graça”, afirma.

A partir do dia 13 de março a Prefeitura de Belo Horizonte inicia uma campanha de conscientização a respeito da importância do cumprimento da nova lei. Nesta semana, prefeitura e entidades do comércio assinaram protocolo de intenções. A assessoria de Imprensa da prefeitura divulgou que sacolas compostáveis serão vendidas a R$ 0,19 em redes de supermercados na capital.

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