A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investiga as fraudes bilionárias nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) , vai ouvir nesta segunda-feira (1º) o advogado Eli Cohen, considerado peça-chave nas investigações sobre os descontos indevidos.
A oitiva está marcada para às 16h no Senado Federal . Cohen é apontado como responsável por reunir provas e conduzir investigações que revelaram o alcance do esquema de filiações forjadas e cobranças ilegais sobre benefícios do INSS .
CPMI para investigação
Instaurada na última semana para investigar as fraudes no INSS, a CPMI tem o poder de convocar autoridades, requisitar documentos e propor mudanças na legislação que visem apurar os crimes em questão.
A comissão tem duração prevista de até seis meses, mas ainda pode ser prorrogada. Serão 32 parlamentares titulares (16 deputados e 16 senadores) conduzindo as investigações no Congresso. Ela é presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), com relatoria do deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) .
A comissão tem dois focos de trabalho principais: os descontos irregulares feitos por associações nas folhas de pagamento dos beneficiários e a fraude em empréstimos consignados, sem autorização dos aposentados e pensionistas.
Convocação da peça-chave
Para ser ouvido na CPMI, o advogado Eli Cohen precisou ser convocado a partir de um requerimento, feito pelo relator Alfredo Gaspar. A importância de seu testemunho se deve por sua atuação, em que Cohen reuniu documentos, registros eletrônicos e comunicações empresariais que indicam o uso irregular de dados pessoais de segurados e a participação de entidades e empresas privadas no esquema.
A CPMI busca apurar a responsabilidade de entidades sindicais e associações envolvidas nos descontos indevidos, além de investigar possíveis envolvimentos de gestores públicos do INSS e do Ministério da Previdência Social, incluindo ex-ministros e ex-presidentes do instituto.
Fraude no INSS
Em abril, a Polícia Federal descobriu um esquema de fraude que envolvia descontos de mensalidades feitos sem autorização em benefícios de aposentados e pensionistas. Entre 2019 e 2024, sindicatos e associações teriam desviado cerca de R$ 6,3 bilhões diretamente da aposentadoria dos segurados. A operação contou com centenas de policiais e resultou em buscas, prisões e até no afastamento do presidente do INSS.
O INSS abriu processos contra 12 entidades suspeitas e prometeu devolver o dinheiro aos aposentados. Os beneficiários que foram lesados podem solicitar o ressarcimento através do aplicativo "Meu INSS".