Troca de farpas entre Lula e Tarcísio é uma prévia de 2026
Agência Brasil
Troca de farpas entre Lula e Tarcísio é uma prévia de 2026



Tarcísio de Freitas(Republicanos) era um dos governadores presentes na reunião convocada pelo presidente Lula(PT) no dia seguinte da invasão, por golpistas, à sede dos Três Poderes em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.

Ex-ministro de Jair Bolsonaro(PL), o governador de São Paulo prestou solidariedade às vítimas dos atos e elogiou a capacidade de diálogo dos presentes. “Estou muito feliz de estar participando dessa reunião” , disse.

Ambos voltaram a se encontrar e trocar elogios ao longo do mandato.

Em fevereiro de 2025, o petista enalteceu o trabalho em conjunto com o governador durante o lançamento do projeto de um túnel que ligará Santos ao Guarujá

"Não é possível a gente deixar de trabalhar, sabe, de forma conjunta, de compartilhar esforços, porque eu não gosto de fulano ou fulano não gosta de mim" , afirmou Lula. "Eu não estou propondo casamento para ele, nem ele está propondo para mim. O que estamos propondo é um jeito de trabalhar juntos" .


“Ainda bem” , brincou Tarcísio, que devolveu o elogio. 

"Desde o início a gente teve as conversas sobre o túnel. O senhor colocou isso tudo com prioridade. Não tá na hora de ter disputa política, nós temos que atender o cidadão. E é o que nós estamos fazendo no dia de hoje aqui” .

Pedido de casamento de fato não houve, mas o flerte era estratégico.

Quanto mais elogios, mais cascas de banana Lula lançava para Tarcísio escorregar na frente da base bolsonarista, que jamais perdoaria o flerte com o inimigo. Era uma forma de rifar um possível adversário em 2026.

O governador sorria constrangido, sem revidar, porque precisava de recursos federais para ter o que mostrar ao fim do mandato.

Não chegou a ser uma lua-de-mel, mas um pacto de não-agressão.

Esse pacto chegou ao auge pouco em um evento de 2024, quando Lula abraçou Tarcísio e lembrou que ele atuou como diretor do Dnit na gestão Dilma Rousseff.

“Eu estranhei vendo ele trabalhar com o Bolsonaro, mas paciência, é uma opção dele” , brincou o petista.

Alguém da plateia gritou para o governador: “volta para o PT” .

Tarcísio riu. Muito.

Mas o ensaio de relação republicana entre eles foi para o vinagre nesta semana durante a visita de Lula à Favela do Moinho, área que Tarcísio pretende  desapropriar para erguer um parque no local.

O presidente aproveitou a visita para anunciar que a União vai comprar imóveis para os moradores deixarem a comunidade. 

O governador, que não compareceu, foi alvo de uma provocação de Lula. Ele criticou ações da Polícia Militar no local e cutucou: "O governo do estado disse que quer fazer uma praça aqui, por mais que seja bonito um parque, ele não pode ser feito às custas do sofrimento de um ser humano."

Sem citar o governador, Lula afirmou que “tem gente que gosta de tirar proveito da desgraça" alheia.

O governador respondeu à provocação acusando Lula de espetacularizar o projeto. “O nosso objetivo, sinceramente, não é fazer evento. Nosso objetivo é fazer entrega” , disse.

Entre um momento e outro não sobraram cinzas do flerte iniciado no primeiro encontro entre eles.

A explicação não é só a discordância no projeto do Moinho.

A troca de farpas fica mais constante quanto mais se aproxima o calendário eleitoral.

Para Tarcísio, os recursos e parcerias com o governo federal podem não ser mais razões suficientes para manter a boa relação com Lula e buscar um novo mandato. Não se eles quiserem o mesmo cargo em 2026.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG

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