Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após prestar depoimento à Polícia Federal (PF) sobre os ataques do dia 8 de janeiro em Brasília
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 26/04/2023
Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após prestar depoimento à Polícia Federal (PF) sobre os ataques do dia 8 de janeiro em Brasília

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que não vai se "desesperar" com a  possibilidade de se tornar inelegível após julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que será retomado nesta terça-feira (27), e que é "imbrochável".

"A tendência, o que todo o mundo diz, é que eu vou me tornar inelegível", afirmou, em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo . "Eu não vou me desesperar. O que que eu posso fazer?"

"Eu sou imbrochável até que se prove o contrário. Vou continuar fazendo a minha parte", respondeu, ao ser questionado sobre como ele se sentia em relação ao assunto.

Ele ainda disse ter a "bala de prata" para as eleições de 2026, mas que não pode revelar quem é. "Por enquanto… Eu tenho a bala de prata, mas não vou te dizer, para você não ficar perturbando, no bom sentido. Eu tenho a bala de prata, mas não vou revelar", disse à jornalista.

Bolsonaro, no entanto, não descartou  apoio ao nome do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas que teria que "conversar com ele". "Ele é um excelente gestor", afirmou.

Quando perguntado se ele acha que seria possível reverter a inelegibilidade no futuro, Bolsonaro disse que "conhece a composição das Cortes superiores" — que mudam ao longo dos anos e dependendo das indicações de quem estiver no poder — e que acredita na possibilidade.

Ele também falou sobre as acusações de um golpe de Estado. "Desde janeiro de 2019 falaram que eu ia dar o golpe: 'Vai dar o golpe, vai dar o golpe'. 'Olha, botou militar'. Eu botei gente que era do meu círculo de amizade. Se eu fosse petista, ia botar ladrões lá", afirmou. "Se fala em golpe no Brasil desde 1964. A coisa mais fácil é tomar alguma coisa [o poder] estando no governo. Mas e o 'after day'?"

Ao falar sobre a  ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), o ex-chefe do Executivo disse que ela pode ser candidata, caso queira, mas que acha que ela não tem experiência suficiente.

"Se ela quiser, ela pode sair candidata. Mas o que eu converso com a Michelle é que ela não tem experiência. Para ser prefeito de cidade pequena já não é fácil. Lidar com 594 parlamentares não é fácil também. Eu acredito que ela não tem experiência para isso. Mas é excelente cabo eleitoral", afirmou na entrevista.

Durante a fala, ele ainda mencionou as  investigações da Polícia Federal que identificaram diversos depósitos em dinheiro vivo de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, a Michelle Bolsonaro. 

"Eu vi na imprensa que abriram um processo sobre despesa da dona Michelle. Me aponte, porr*, uma despesa", afirmou. "Ela comprou um vestido, comprou um sapato, uma merda qualquer? Aponte. Não tem. Se você pegar meu extrato bancário, todo o saldo meu é maior do que as nossas despesas. Ele sacava o dinheiro da minha conta, e pagava".

Ao ser questionado sobre o porquê ele mesmo não fazia o pagamento diretamente, Bolsonaro respondeu que era "manicure, é não sei o quê, umas frescuradas todas". "Então era para não entrar meu nome lá e não ficar toda hora usando o meu cartão. Daqui a pouco eu tô pagando algo para um cara que tem problema. Se eu boto Pix para um cara que cuida de cachorro, por exemplo, mas está também na boca de fumo?", acrescentou.

"O que nós plantamos ao longo de quatro anos não foi blábláblá. Eu fui para o meio da massa, bafo na cara, arriscando levar um tiro, uma facada."

Julgamento no TSE

Nesta terça-feira (27), o  Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma o julgamento da ação que pode tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível por oito anos. A sessão tem previsão para começar às 19h com a leitura do voto do relator, ministro Benedito Gonçalves.

Bolsonaro é alvo de ação que o acusa de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação após uma  reunião com embaixadores meses antes das eleições, quando ele fez  críticas às urnas eletrônicas e tentou disseminar informações falsas sobre o processo de votação.

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