Pré-candidato à Presidência, Ciro Gomes, do PDT
José Cruz/Agência Brasil - 14.08.2018
Pré-candidato à Presidência, Ciro Gomes, do PDT

Sem alianças firmadas nem vice definido, o pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes, vai oficializar a entrada na  disputa pelo Palácio do Planalto nesta quarta-feira, durante a convenção nacional do partido, em Brasília. Na véspera do evento, aliados não escondem o pessimismo com as possibilidade de se atrair partidos para o palanque do pedetista.

O PDT vai manter em aberto o posto de companheiro de chapa de Ciro, um trunfo para negociar alianças. Caso o partido não consiga conquistar o apoio de outras legendas, há dois nomes cotados para o posto, que deve ser ocupado por uma mulher: a senadora Leila Barros (DF) e a ex-reitora da USP Suely Vilela.

A convenção marcará a mudança do mote da campanha. O slogan “Rebeldia da esperança”, usado no lançamento da pré-candidatura do pedetista, em janeiro, dará lugar a “Prefiro Ciro”, que já foi veiculado no ano passado, mas havia perdido espaço nas peças eleitorais.

Ambos são de autoria do marqueteiro, João Santana. A estratégia traçada até aqui impulsionou a popularidade do pedetista entre o eleitorado mais jovem, algo almejado pela campanha desde 2018. Segundo o Datafolha, Ciro é apoiado por 10% dos eleitores de 16 a 24 anos. No último pleito, esse índice era de 3%.

No geral, ele aparece em terceiro lugar nas pesquisas, com 8% da preferência, de acordo com o Datafolha, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem 47%, e o presidente Jair Bolsonaro (PL), 28%. Quatro anos atrás, Ciro chegou à temporada das convenções partidárias com 6% nas pesquisas.

A polarização evidenciada pelos levantamentos de intenção de voto é o maior entrave para que Ciro reforce seu palanque com outras siglas, na avaliação de aliados do pré-candidato, como o secretário-geral do PDT, Manoel Dias:

"Dificilmente se conseguirá outro partido diante da polarização. Ainda estamos tentando negociar, mas não faremos concessões ideológicas. Temos o melhor candidato, o único que tem proposta."

Assédio petista

Ciro vai formalizar sua candidatura no primeiro dia do prazo para as convenções partidárias. O partido aposta que, uma vez consolidado no páreo, Ciro tem mais chances de atrair apoios.

Nos últimos meses, diante do isolamento de Ciro, pedetistas chegaram a ser assediados pelo PT para darem palanque a Lula. Em ao menos dois estados, candidatos ao governo pelo PDT já demonstraram proximidade com o ex-presidente. É o caso do Maranhão, com o senador Weverton Rocha, e do Rio, com o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves.

Além disso, havia uma ala do partido favorável a que Ciro abrisse mão da candidatura e endossasse a aliança no entorno de Lula, sob argumento de derrotar Bolsonaro no primeiro turno. Segundo o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), o pano de fundo desse assédio passava pelo receio de a sigla não conseguir eleger candidatos ao Congresso.

Por esse raciocínio, uma aliança com um candidato a presidente mais competitivo, como Lula, poderia impulsionar o desempenho dos candidatos do PDT ao Legislativo. Além disso, sem um cabeça de chapa na corrida pelo Planalto, o PDT disporia de mais caixa para bancar os postulantes ao Congresso.

"Havia um interesse legítimo de cada estado, a gente entende essa angustia", diz Mattos.

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