Bolsonaro afirmou que, após retornar da viagem aos Estados Unidos, na semana que vem, vai procurar representantes diplomáticos
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 26/04/2022
Bolsonaro afirmou que, após retornar da viagem aos Estados Unidos, na semana que vem, vai procurar representantes diplomáticos

Assessores do governo de Jair Bolsonaro têm preparado um arsenal de documentos para municiar o presidente nas conversas que ele pretende ter com embaixadores estrangeiros a respeito das eleições no país. O material inclui decisões e declarações de ministros do Supremo Tribunal Federal que, na visão do Palácio do Planalto, demonstrariam parcialidade da Corte em relação ao chefe do Executivo e a seus apoiadores.

Na terça-feira, Bolsonaro afirmou que, após retornar da viagem aos Estados Unidos, na semana que vem, vai procurar representantes diplomáticos para, segundo ele, “expor a verdade sobre o que está acontecendo no Brasil”.

"Lá fora, chega a imagem de que eu estou prendendo gente aqui dentro, de que eu estou prendendo jornalistas, blogueiros, eu estou desmonetizando páginas", disse o presidente em entrevista ao SBT.

De acordo com integrantes do governo, nos encontros com embaixadores Bolsonaro deverá relatar o que considera “abusos” do Supremo, incluindo os inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos — que miram aliados do governo —, a condenação do deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) por ameaças aos ministros da Corte e a cassação do mandato do deputado estadual Fernando Francischini (União-PR) por propagar notícias falsas sobre a disputa eleitoral de 2018.

A intenção de Bolsonaro com a iniciativa é internacionalizar a sua cruzada contra as urnas eletrônicas e os embates com o Supremo. O titular do Palácio do Planalto pretende dizer aos diplomatas ser vítima de uma perseguição interna e que, apesar dos frequentes ataques ao processo eleitoral, não representa uma ameaça à democracia.

Reunião com Biden

O presidente está convencido de que, além da esquerda, integrantes do Judiciário atuam para atacá-lo pessoalmente no exterior e descredibilizá-lo junto à comunidade internacional. Na entrevista de terça-feira, ele citou especificamente o encontro do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, a embaixadores estrangeiros para conversar sobre a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro.

"[Fachin] Fez transparecer que estou duvidando do sistema eleitoral, preparando um golpe para pós-eleições", afirmou Bolsonaro na ocasião.

De acordo com fontes diplomáticas, Bolsonaro não deve tomar a iniciativa de abordar questões políticas internas na reunião que terá hoje com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante a Cúpula das Américas, em Los Angeles. Ele, no entanto, estará preparado para responder, caso seja questionado sobre as eleições.

Ao mesmo tempo, nos bastidores, assessores de Bolsonaro afirmam que podem atuar para passar recados a auxiliares do americano sobre a disputa interna.

Nos últimos meses, auxiliares do Planalto já vinham tentando buscar uma aproximação com diplomatas estrangeiros. As conversas ocorreram principalmente com o secretário de Assuntos Estratégicos, almirante Flávio Rocha, e o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins. Agora, porém, outros auxiliares devem entrar na força-tarefa. Na terça-feira, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria-Geral da Presidência, por exemplo, reuniu-se com o embaixador de Portugal, Luiz Faro Ramos. Em princípio, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, não deve se empenhar diretamente na missão.

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