Marcelo Xavier, presidente da Funai
Reprodução: Flickr - 08/06/2022
Marcelo Xavier, presidente da Funai

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, criticou nesta quarta-feira do que chamou de "exploração midiática" do desaparecimento do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira , no Vale do Javari, na Amazônia. Ao comentar sobre o indigenista, Xavier afirmou que algumas pessoas sabem do risco desse tipo de viagem mas "insistem em ir lá".

Em entrevista à "Jovem Pan", Xavier disse que o órgão e o governo federal têm adotado medidas para encontrar os dois, que não retornaram de uma viagem a indígenas na região. Ambos estão desaparecidos há três dias.

"Acho que é bizarro esse tipo de exploração midiática num evento infeliz como esse que é o desaparecimento dessas duas pessoas", afirmou.

Xavier criticou Phillips e Pereira por, segundo ele, terem ignorado o protocolo para incursões na área, que inclui autorização da Funai e o cumprimento de protocolos sanitários, como a apresentação de testes de Covid-19 e comprovação de vacinação. Ainda de acordo com Xavier, o indigenista Bruno Pereira, que também é servidor da Funai, teria sido exonerado de um cargo na região após críticas de indígenas matis.

"O problema é que, infelizmente, as pessoas sabem do risco e insistem em ir lá sabendo desses riscos. À Funai, agora, o que cabe fazer é atuar efetivamente para tentar localizar essas pessoas e colocar bem claro às pessoas que pretendem ir nas áreas de indígenas isolados, que façam o procedimento correto que é pedir a autorização para a Funai e não se coloquem em risco", disse.

Nesta terça-feira, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava), em parceira com mais três instituições representativas dos povos indígenas, publicou uma nota exigindo apoio e rapidez dos órgãos federais de proteção e segurança, assim como das Forças Armadas, nas buscas. De acordo com a nota, apenas seis policiais militares e uma equipe da Funai iniciaram as buscas na segunda-feira junto com a equipe da instituição.

As instituições apontam que o número de agentes disponibilizados no momento é "ínfimo diante da urgência em se encontrar o paradeiro do indigenista e do jornalista desaparecidos". Em conjunto com a Defensoria Pública, elas recorreram à Justiça Federal solicitando que a União viabilize o uso de helicópteros e barcos para auxiliar nas busca.

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