Flávio Bolsonaro e a esposa no camarote do Carnaval na Sapucaí
Reprodução: redes sociais - 26/04/2022
Flávio Bolsonaro e a esposa no camarote do Carnaval na Sapucaí

senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os ministros  Ciro Nogueira (Casa Civil) e Anderson Torres (Justiça) acompanharam os desfiles das escolas de samba do Rio em um camarote privado na Marquês de Sapucaí neste fim de semana.

Aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL) , o governador do Rio, Cláudio Castro, visitou o grupo nas duas noites de apresentação do Grupo Especial, a primeira divisão do Carnaval carioca.

O camarote, que se tornou uma espécie de espaço VIP "alternativo" de aliados de Castro, recebeu não só o alto escalão do governo federal — que evitou aparecer no camarote oficial do governo do Rio —, mas também parlamentares e assessores do governador.

Para interlocutores de Flávio, o fato de o senador não ter ido ao encontro de Castro, permanecendo no camarote privado nas duas noites de desfiles, sinalizou seu incômodo com o fato de que integrantes da cúpula do governo resistem a uma aproximação com Bolsonaro na campanha eleitoral.

O grupo mais próximo de Castro tem aconselhado o governador a adotar um perfil moderado na campanha, sem se vincular diretamente ao bolsonarismo.

Embora tivesse como "base" o camarote oficial do governo, no setor 9 da Sapucaí, Castro fez questão de percorrer a avenida e outros camarotes, numa tentativa de tornar-se mais conhecido a seis meses da eleição.

Pesquisa Datafolha divulgada no início deste mês apontou que apenas 23% dos eleitores dizem conhecer "muito bem" o governador, enquanto 34% afirmam não conhecê-lo. Castro assumiu o governo após o impeachment do titular Wilson Witzel em 2021.

No camarote Arpoador, frequentado por Flávio, e que ocupava totalmente dois setores da Sapucaí, Castro subiu junto com o senador para uma área reservada na primeira noite de desfiles, onde permaneceu por cerca de meia hora. Na segunda noite, Castro ficou por mais de 1h nesse "espaço VIP".

Segundo o governador, ele foi assistir ao show do cantor Alexandre Pires no local. Um vídeo publicado em suas redes sociais mostra o governador, em frente ao palco, cantando ao microfone um trecho de "Domingo", música de Pires, ao lado da primeira-dama Analine Castro.

Na saída, Castro explicou a colegas que precisava voltar ao camarote oficial:

"Já estou há muito tempo fora de lá. Aí não dá", afirmou.

Enquanto Flávio chegou a circular por outras áreas do camarote e chegar perto da pista da Sapucaí — local onde foi vaiado por frequentadores, conforme revelou a coluna de Lauro Jardim no GLOBO, — Ciro Nogueira e Anderson Torres optaram por permanecer quase todo o tempo no "espaço VIP".

Na segunda noite de desfiles, Ciro foi ao camarote Nº 1, onde foi fotografado ao lado de um dos promotores do espaço, o empresário Alvaro Garnero.

Segundo aliados do governador, convidados de maior "calibre" político, como o senador e os ministros, ficaram mais confortáveis em um espaço mais reservado, o que não teriam no camarote oficial do governo.

Além de concentrar cabos eleitorais e integrantes do "baixo clero" do governo, o camarote oficial tinha espaço consideravelmente menor, já que ocupava apenas um andar do setor 9.

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O camarote Arpoador recebeu também alguns nomes do alto escalão da política estadual, como o deputado Márcio Canella (União), dirigente do partido no Rio, e o ex-secretário de Turismo, Gustavo Tutuca (PP).

Castro, porém, negou ter participado da montagem da lista de convidados do camarote Arpoador.

"As pessoas circulam entre os camarotes", justificou.

Alugado pelos empresários Paulo Roberto de Mesquita Junior e Roberto Pinto dos Santos, do ramo de publicidade, o camarote Arpoador teve como principal responsável o empresário Bernardo Coutinho, de 23 anos. Ao portal "Metrópoles", Coutinho destacou o espaço do Arpoador, com mais de 4 mil m² e três andares, o que levou à criação de "um espaço para shows independente" do restante do camarote, permitindo realizar "duas grandes apresentações de forma simultânea".

Na segunda noite de desfiles, o camarote teve movimentação intensa não só de políticos, mas também de integrantes e destaques da Grande Rio, penúltima escola a entrar na Sapucaí. A atriz Paolla Oliveira, rainha de bateria da escola de Grande Rio, e o ex-BBB Gil do Vigor foram alguns dos nomes que passaram pelo local. Também houve shows de artistas como Ferrugem, Jota Quest, Zé Neto e Cristiano e MC Poze.

Pressão bolsonarista

Nas últimas semanas, Flávio vem pressionando Castro a abrir espaço para um vice bolsonarista em sua chapa à reeleição. Desde o aniversário de Castro, no Jockey Club, e que contou com a presença do senador, as cobranças se intensificaram. O governador, porém, ainda não sinalizou se vai aderir à estratégia eleitoral defendida pelo entorno de Bolsonaro.

Um aliado do senador afirmou ao GLOBO, na véspera dos desfiles, que Flávio também manifestou incômodo com os conselhos do "núcleo duro" do governo Castro, e que esta seria a principal razão para o senador evitar o camarote oficial do governador.

O espaço contou com a presença de nomes tidos como favoráveis a uma aproximação entre Castro e o ex-presidente Lula (PT), como o deputado federal Áureo (Solidariedade) e o deputado estadual Max Lemos (Pros). Além disso, o secretário do Gabinete do Governador, Rodrigo Abel, que circulou com Castro pela Sapucaí, participou da Juventude do PT no passado.

Em meio aos desfiles na Sapucaí, Castro disse ter convidado Flávio para o camarote do governo e que o nome do senador estava na lista de credenciados, "se ele quiser ir". O governador minimizou, no entanto, o fato de o encontro não ter ocorrido no espaço oficial, e disse que o clima foi amistoso:

"Ficamos só ouvindo música", garantiu.

Ao GLOBO, Flávio também procurou sinalizar boa relação com o correligionário:

"Se Deus quiser, vai ser eleito no primeiro turno. Estamos juntos", disse o senador.

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