Milton Ribeiro
Isac Nóbrega/PR
Milton Ribeiro

Mesmo após a saída de Milton Ribeiro do Ministério da Educação, concretizada hoje, o Congresso mantém de pé o plano de colher o depoimento do agora ex-ministro nesta quinta-feira, dia em que está prevista a ida dele à Comissão de Educação do Senado. Ribeiro foi convidado a explicar as denúncias de que dois pastores teria cobrado propina de prefeitos para ajudá-los a destravar recursos da pasta e a ter reuniões com o então chefe do MEC.

Milton Ribeiro é o quarto ministro da Educação a cair durante o governo do presidente Jair Bolsonaro. Antes dele, passaram pelo posto Ricardo Velez, Abraham Weintraub e Carlos Decotelli- este último foi nomeado, mas não chegou a tomar posse.

O presidente da Comissão de Educação do Senado, Marcelo Castro (MDB-PI), considera que Ribeiro ainda deve ser ouvir pelo colegiado. Como se trata de um convite, porém, ex-ministro não é obrigado a comparecer.

"A Comissão de Educação do Senado vai prosseguir com a apuração das denúncias. A audiência para ouvir Milton Ribeiro está mantida, na quinta-feira, às 9h15", escreveu Castro, em suas redes sociais.

O emedebista também lamentou que, "enquanto a educação brasileira padece", o ministério não esteja em evidência "por suspeitas de corrupção".

"Nós vamos para o quinto ministro em três anos do governo Bolsonaro. Uma área tão importante para o futuro do país sem nenhuma continuidade, em uma instabilidade completa", criticou Castro.

A senadora Leila Barros (Cidadania-DF), engrossou o coro de que Ribeiro deve comparecer.

"Prefeitos revelaram um esquema para liberar verba do FNDE em troca de ouro, dinheiro vivo e até bíblias. Ele também deve esclarecer a participação do presidente na indicação dos pastores que comandavam as operações ilícitas", declarou Leila, que é vice-presidente da Comissão.

Outro membro do colegiado, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) disse que a exoneração de Ribeiro é uma tentativa de arrefecer o escândalo e impedir a contaminação da imagem de Bolsonaro em ano eleitoral.

"Não podemos, porém, admitir qualquer 'operação abafa' para esse gravíssimo escândalo", acrescentou.

Na Casa vizinha, a Câmara dos Deputados, a presidente da Comissão de Educação, Dorinha Seabra (União-TO), comemorou a saída de Ribeiro.

— Não posso deixar de lamentar todo a situação em si, porque para a educação temos programas e ações com periodicidade diferente de outros ministérios. O ministro, ao entregar o cargo, fez o formato correto, porque o prejuízo para educação era muito ruim — disse.

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A deputada afirmou, no entanto, que não se pode perder tempo:

— Eu me preocupo muito com a questão da continuidade, estamos num ano complicado pela questão eleitoral. Não podemos perder tempo porque o ano passado já foi muito difícil em questão de orçamento, os prazos são muito curtos. Meu desejo é que se mexa o menos possível no ministério. Tenho receio dessas quebras de continuidade.

Líder da bancada evangélica, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) passou a última semana articulando, junto com outros integrantes da frente, uma saída para a crise.

Ele teve pelo menos três conversas com o ministro, segundo interlocutores, em que deixou claro que a situação não era boa para os religiosos. Também explicitou que a melhor alternativa era Ribeiro pedir uma licença.

No Palácio do Planalto, coube ao ex-senador Magno Malta explicar a Jair Bolsonaro que essa era a melhor solução.

Nesta segunda-feira, após a exoneração, o líder da bancada evangélica comemorou o desfecho.

— Decisão acertadíssima — disse Sóstenes.

CPI

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que vai tentar reunir assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso. São necessárias pelo menos 27 assinaturas.

"A partir de agora entendemos que é dever do parlamento cobrar investigações minuciosas desse, que já é um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil. Hoje vamos pedir a instalação de uma CPI no Senado para investigação do BOLSOLÃO do MEC", declarou.

Ele também reforçou que "a saída do Ministro da Educação não será aceita como tentativa de livramento das responsabilizações cabíveis".

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