Lula defende Dilma e diz que não vai governar com raiva ou vingança
Reprodução/redes sociais
Lula defende Dilma e diz que não vai governar com raiva ou vingança

Ao discursar no evento virtual de comemoração dos 42 anos do PT, o ex-presidente Lula afirmou que, caso seja eleito este ano, não vai governar com raiva nem buscará vingança contra os que, segundo suas palavras, “o perseguiram”. Como uma espécie de vacina contra prováveis ataques de adversários durante a campanha, o líder petista também fez uma defesa enfática de sua sucessora, a ex-presidente Dilma Rousseff.

Presidentes de partidos de esquerda e de centro-esquerda enviaram mensagens de felicitação ao PT pelo aniversário. Chamou a atenção, porém, o vídeo enviado pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab, que nesta semana disse “não ser impossível” uma aliança com Lula na eleição deste ano. Na gravação, Kassab afirmou que todos os brasileiros têm "um profundo orgulho do legado que o PT" deixou nos anos que comandou o país.

Em sua fala, Lula lembrou do seu período na prisão e das investigações contra o PT nos últimos anos.

"Tem muita gente que neste momento da história do Brasil fala o seguinte: será que o Lula está com raiva? Será que o Lula está nervoso? Como o Lula vai voltar a querer ser presidente? Ele vai querer se vingar? Vai querer perseguir quem o perseguiu? Querer destruir quem o destruiu?".

Em seguida, Lula disse que falaria de amor. O ex-presidente passou, então, a ler um discurso em que citou a palavra “amor” 23 vezes.

"Fui vítima do ódio, que me custou 580 dias de prisão injusta e ilegal, condenado à saudade incurável dos meus entes queridos e do povo brasileiro, a quem amo de paixão. Mas sempre fui,  e serei, acima de todo os ódios, abençoado pelo amor. Aprendi na Bíblia, que “se eu não tiver amor, eu nada serei”.

Em 2002, o petista chegou pela primeira vez à Presidência com a estratégia de campanha que ficou conhecida como “Lulinha paz e amor”, em que suavizou a própria imagem evitando, por exemplo, ataques mais duros aos adversários . Neste ano, não há, porém, expectativa de que Lula poupe o presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto.

Logo no começo do discurso, Lula fez elogios a Dilma. A ex-presidente havia participado antes do evento numa transmissão pela internet, elogiado o antecessor e afirmado que ele voltará a governar o país.

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"A Dilma pode ter todos os defeitos que todos nós seres humanos temos. Mas acho que poucas vezes este país teve uma mulher da qualidade moral, ética e competência técnica da Dilma, uma das grandes injustiçadas que a elite brasileira resolveu escolher para poder criminalizar o PT. Queria te falar, Dilma, que nós do PT, por mais que alguém possa ter divergência com você, eu admito que alguém do PT possa fazer crítica a você. Mas nós do PT não podemos admitir que nenhum inimigo nosso, conservador ou alguém que represente a elite atrasada,  possa falar mal de você".

A ausência de Dilma em um jantar realizado no fim do ano passado por advogados, e que serviu como primeiro encontro público entre Lula e o ex-tucano Geraldo Alckmin num momento em que dois negociam a formação de uma chapa, causou polêmica.

A ex-presidente é criticada por um setor do partido e lideranças esperam que a derrocada da situação econômica  do país em seu governo seja alvo de adversários durante a campanha deste ano.

Lula também falou que o momento atual é “como se o PT estivesse ressuscitando porque houve gente que acreditou que nós estivéssemos destruídos”.

Nos vídeos enviados, os dirigentes dos partidos de esquerda falaram da necessidade de união para a disputa deste ano.

"Neste ano, seguramente estaremos aliados para vencer o bolsonarismo", disse Carlos Siqueira, presidente do PSB.

Os socialistas ainda não fecharam aliança com o PT e cobram contrapartidas, como apoio a Márcio França na disputa pelo governo de São Paulo.

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