Romário (PL), Senador da República
Agência Senado
Romário (PL), Senador da República

Ao discursar no culto do pastor Silas Malafaia, o futuro ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça fez um aceno ao senador Romário (PL-RJ) , que acompanhava a cerimônia religiosa ao lado de outros políticos fluminenses. O ex-advogado-geral da União abriu sua fala na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na Penha, Zona Norte da capital, fazendo menção a alguns dos notáveis que estavam na igreja, como o próprio líder religioso e o governador do Rio, Cláudio Castro (PL). O destaque, porém, ficou com o ex-jogador de futebol, que foi descrito por Mendonça com o “senador mais habilidoso da República”.

"Quem é o senador mais habilidoso da República?", brincou o futuro ministro ao saudar Romário.

Ao lado de Mendonça, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) à Corte, Malafaia, Castro e outros parlamentares conservadores de direita, Romário passou a quinta-feira acompanhando conversas que o futuro ministro do STF teve no Rio para agradecer o apoio que recebeu para ser aprovador em sua sabatina no Senado — que contou com o apoio e articulação de líderes da bancada religiosa.

A presença do “baixinho” na agenda marca ainda mais a guinada à direita dada pelo senador eleito à Casa pelo PSB em 2014, sigla de centro-esquerda, e que agora busca a reeleição pelo mesmo partido que o do presidente.

Em outubro deste ano, Romário elogiou o governo de Bolsonaro e afirmou preferi-lo ao ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva. Sem medir palavras, disse em entrevista ao jornalista Rica Perrone que antes de o atual chefe do Executivo federal assumir, o país “estava uma merda do caralho”.

"Se você me perguntar, eu acho que o Bolsonaro é um presidente que tem feito coisas positivas para o nosso país. Erra em alguns momentos, principalmente nesses últimos dois anos com a pandemia", disse Romário, completando: "Mas eu, particularmente, convivi com o Bolsonaro quatro anos. Nos meus primeiros anos como deputado federal, ele estava lá ainda. E o Bolsonaro é um cara muito sério. Um cara que tem coragem e não tem medo de se posicionar. Isso ele trouxe isso para a presidência. Antes do Bolsonaro, nosso país estava uma merda do caralho."

Apesar do posicionamento atual, o hoje aliado indiscutível do presidente, porém, já teve uma opinião diferente em relação a Lula, principal adversário de Bolsonaro na disputa presidencial de 2022 . Em 2013, época em que era deputado federal pelo PSB, Romário elogiou o petista como “um dos nomes mais importantes da história do Brasil”. Na ocasião, Lula havia sido homenageado com duas medalhas na Câmara.

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"Recebemos hoje aqui na Câmara um dos nomes mais importantes da história do Brasil, nosso ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi homenageado com duas medalhas: a comenda “Suprema Distinção”, pela trajetória política, e a medalha da Constituinte, pela participação na elaboração da Constituição de 1988. Merecidamente!", escreveu Romário em seu Instagram, na época.

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Eleito em 2010 com bandeira principal da defesa do esporte e de crianças com síndrome de down, por causa de sua filha Ivy, Romário ficou oito anos no PSB, entre 2009 e 2017, até se filiar ao Podemos. Senador desde 2015, decidiu concorrer ao governo do Rio na última eleição geral, em 2018. Embora fosse um dos nomes mais fortes da disputa, amargou o quarto lugar, com apenas 8,7% dos votos.

Em abril deste ano, o ex-jogador decidiu migrar para o PL após o Podemos ter apoiado a senadora Simone Tebet (MDB-MS) à presidência da Casa. Na época, o parlamentar era a favor de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também apoiado por Bolsonaro e que acabou se elegendo.

Ainda que hoje seja um dos vice-presidentes do Senado, Romário tem tido uma atuação apagada no Congresso, segundo avaliam demais parlamentares. Isso faz com que alguns políticos aliados questionem sua viabilidade para concorrer à reeleição. Hoje, o senador é apontado como o candidato de Bolsonaro à vaga. Porém, mesmo dentro da chapa de Cláudio Castro, seu correligionário, outros nomes já foram especulados, como o do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), do prefeito de Caxias, Washington Reis (MDB), E do deputado federal Helio Lopes (PSL-RJ), fiel escudeiro do presidente.

Na disputa pela única cadeira que vagará no Senado no ano que vem, há também nomes de esquerda que almejam concorrer. É o caso do deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), André Ceciliano, amigo próximo do governador.

Independente do partido que esteja e de quem o apoie no cenário nacional, Romário sempre teve uma visão mais ácida da política. Quando foi eleito pela primeira vez, em 2010, declarou com seu jeito irônico à revista Placar:

"Achava que política era lugar de ladrão e sacanagem. E eu acertei."

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