Jair Bolsonaro
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Jair Bolsonaro

 A cinco dias dos atos programados para o 7 de Setembro , o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não é preciso se preocupar com as manifestações previstas e que o desejo dele é buscar a paz. Mas voltou a ser provocativo e irônico com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e os convidou, junto com outros integrantes das Cortes superiores, se desejarem, a subir no caminhão de som na próxima terça-feira. Mais cedo, o presidente do STF, Luiz Fux, havia defendido a necessidade de que os atos sejam pacíficos.

"O Brasil está em paz. Falta uma ou outra autoridade ter a humildade de reconhecer que extrapolou. E trazer a paz. Ninguém precisa temer o 7 de Setembro. Estarei aqui na Esplanada, usarei a palavra e usarei o carro de som na Paulista, que deve ter dois milhões de pessoas. Como disse o ministro Fux (presidente do STF) hoje: "Não pode haver democracia se não houver respeito à Constituição". Parabéns, ministro Fux. É o que eu quero também", afirmou Bolsonaro, em discurso numa solenidade no Palácio do Planalto na tarde desta quinta-feira.

Na abertura da sessão de julgamentos desta quinta-feira, Fux pediu que os atos ocorram "com senso de responsabilidade cívica e respeito institucional, independentemente da posição político-ideológica que ostentam ".

"Num ambiente democrático, manifestações públicas são pacíficas; por sua vez, a liberdade de expressão não comporta violências e ameaça", disse o presidente da Corte.


Bolsonaro, por sua vez, afirmou ainda que não está organizando nada para o dia 7 e que só está sendo convidado, e chamou as autoridades do Judiciário a acompanhá-lo no ato.

"Quem quiser subir no carro de som, e ver um ou dois milhões de pessoas, e se quiser fazer uso da palavra, eu garanto essa palavra. Não teremos outro grito de independência. Já somos independentes". 

Bolsonaro afirmou que os atos serão demonstração da democracia, num "mar verde e amarelo".

"Uma boa imagem vale mais que um milhão de palavras. E mostrar para vocês o que essas pessoas estão pedindo. Estão pedindo o óbvio, o que temos a obrigação de fazer. Por que um ou dois não querem fazer? Que poder eles têm? A caneta, como uma arma, pode ser usada para bem ou para o mal". 

Ao citar os ministros do STF, em tom de ironia, Bolsonaro era aplaudido pelos convidados, que participavam do lançamento de um pacote de obras ferroviárias no Palácio do Planalto. Além de Fux, o presidente citou também o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que ninguém é mais criticado que ele (Bolsonaro) nas redes.

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"Duvido quem seja mais criticado que eu nas redes sociais. Mexem com a família da gente quase o tempo todo. Não é por isso que eu vou começar a tomar providências para calar essas pessoas. Como já disse o ministro Alexandre de Moraes, quem não quer ser criticado que fique em casa. Parabéns ao ministro Alexandre de Moraes", disse o presidente, que completou: "Não podemos usar da força que temos para censurar quem quer que seja". 

Moraes é relator do inquérito que apura a disseminação de fake news e ataques aos ministros do Supremo e incluiu Bolsonaro na lista de investigados.

O presidente afirmou também que o julgamento do marco temporal das terras indígenas, que está na pauta do STF, é "importantíssimo" e prevê um cenário desastroso se essa tese, que restringe a demarcação de áreas para os índios, for rejeitada.

"De acordo com a decisão que sair não sei o que faremos com o agronegócio. Tem reservas indígenas equivalentes do tamanho da região Sul que serão agregadas à região (se o marco for rejeitado). Hoje, de cada cinco pessoas que se alimentam no mundo, um prato vem do brasil, Se isso (o marco temporal) for aprovado, com toda certeza, de cada quinze pratos um só viria do brasil. Teremos infalação e escassez de alimentos. Fazendas serão destruídas", disse Bolsonaro.

Ele ainda criticou a adoção do passaporte da Covid, medida que tem sido cogitadas por alguns gestores no país. Ele afirmou que essa iniciativa é um crime.

"Querem impor regras por decretos estaduais ou municipais, violando o artigo 5° da Constituição. É crime. Liberdade acima de tudo. No mais, é correr para o abraço". 

O presidente falou ainda que, para evitar gafes, conversa sempre antes com seus ministros, por mais elementar que seja sua dúvida.

"Quantas vezes engulo sapo pela fosseta lacrimal (o canto do olho por onde correm as lágrimas)". 

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