Deputado federal Aécio Neves (PSDB)
Agência Brasil
Deputado federal Aécio Neves (PSDB)

O deputado Aécio Neves (PSDB-MG) reagiu nesta terça-feira aos ataques do colega de partido, o governador de São Paulo, João Doria. Em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, Doria afirmou que Aécio era "covarde" e um "pária". Aécio devolveu na mesma moeda: chamou o cacique tucano de "desqualificado" e "oportunista". Além disso, o acusou de tentar "comprar" o PSDB para que seja escolhido candidato à Presidência da República em 2022.

"Doria é um desqualificado. Perdeu as condições de ser candidato à própria reeleição pela sua enorme rejeição e acha que pode comprar o PSDB para satisfazer o seu fetiche de ser candidato a presidente da República. Falta a ele dimensão e caráter para liderar qualquer projeto nacional", reagiu Aécio, em nota.

Doria disputará a prévia que escolherá em novembro o candidato da sigla à Presidência. Na entrevista, ao comentar a tramitação do voto impresso na Câmara, ocasião em que Aécio se absteve em votação, Doria partiu para o ataque. Também defendeu que Aécio peça afastamento da legenda.

Em resposta ao governador, Aécio diz que Doria "se ajoelhou" aos pés de Jair Bolsonaro em 2018.

"De forma oportunista, se ajoelhou aos pés de Bolsonaro implorando apoio, criando o inesquecível Bolsodoria, e tenta a todo custo fazer com que as pessoas se esqueçam disso. Traiu o seu padrinho político, Geraldo Alckmin, da forma mais covarde e humilhante possível, desrespeitando e atropelando a história do partido, para abrir caminho para a sua ambição".

Aécio diz que o ataque é reflexo de uma "obsessão". Também seria uma tentativa de superar um "obstáculo" para que ele se tornasse "dono do PSDB". Na TV Cultura, Doria o associou a práticas corruptas. Lembrou de conversa com Joesley Batista, em meio ao avanço da Operação Lava-Jato. Em 2017, o empresário entregou à Procuradoria-Geral da República a gravação de um diálogo em que Aécio lhe pedia R$ 2 milhões.

— Aécio Neves tem a síndrome da derrota. E começou a sua pior derrota naquele triste telefonema para um empresário aqui de São Paulo pedindo propina. Eu entendo que pessoas que pedem propina a empresário do meu partido deveriam se afastar — afirmou ao Roda Viva.

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Aécio também se defendeu:

"Quanto às acusações que me fez, ele demonstra mais uma vez a sua leviandade. Fui vítima de uma armação criminosa que será desmascarada na Justiça. Minha vida pessoal já foi toda investigada e não existe um centavo de dinheiro público ou de origem duvidosa do qual tenha me beneficiado", se defendeu Aécio.

O deputado, por sua vez, levantou dúvidas sobre a honestidade do governador.

"Ao contrário, quem fez fortuna às custas de empresários, foi o Sr. João Doria através das doações milionárias feitas ao seu Lide. Recentemente, a própria imprensa publicou denúncias sobre a relação suspeita que a entidade mantém com empresários beneficiados pelo governo de São Paulo. Trata-se de acusação que merece ser melhor investigada".

Aécio terminou a nota levantando suspeitas sobre as prévias do PSDB.

"Hoje, numa prática que jamais havia ocorrido no PSDB, seus emissários viajam pelo país oferecendo pagar dívidas de campanhas passadas e financiamento para campanhas futuras para tentar comprar o resultado das prévias partidárias. Tenta, a todo custo, transformar o PSDB num balcão de negócios. O PSDB não é o Lide, Sr. João Doria, o PSDB não está à venda. O PSDB é fruto de uma construção coletiva, da qual participo há cerca de 30 anos. Não vamos permitir que ele seja tomado por um arrivista, cujo único objetivo é satisfazer seu próprio ego e sua ambição doentia".

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