Vereadora Marielle Franco na Câmara Municipal do Rio de Janeiro
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Vereadora Marielle Franco na Câmara Municipal do Rio de Janeiro

Neste domingo, 14 de março de 2021, completam-se  três anos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes . As vítimas foram brutalmente mortas com cerca de 13 tiros na noite daquela quarta-feira. E, até hoje, a motivação e o mandante do crime não foram identificados. O iG conversou com uma advogada e figuras próximas à vereadora para falar sobre o andamento das investigações, outros crimes políticos e como o caso pode influenciar nas políticas de futuro.

“Três anos é muita coisa, muito tempo para a gente não saber quem são os mandantes dessa barbárie. Não tem como mensurar a dor de uma mãe que passa por uma situação dessa", disse Marinete Franco, mãe de Marielle, em coletiva de imprensa virtual conjunta com o Instituto Marielle Franco e a Anistia Internacional na última sexta-feira (12).

Marielle Franco havia sido eleita em 2016 com cerca de 46 mil votos. Desde então, se empenhou na criação de projetos e leis voltados para população preta periférica do Rio, para a comunidade LGBTIA+ e para proteção dos direitos humanos.

Recentemente, foi divulgado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro ( MPRJ ), que uma força-tarefa foi designada para dar andamento as investigações do caso . As promotoras Letícia Emile e Simone Sibílo, que acompanharam o caso desde o início, serão as responsáveis pela operação.

De acordo com a advogada Tânia Sá Hammerschmidt, o assassinato de Marielle e Anderson demonstra como uma figura representativa - vereadora, mulher preta e legitimamente eleita - sofre duramente quando suas pautas incomodam redes poderosas de criminosos no estado.

“Até o momento, salvo engano, foram 65 prisões ao longo destes três anos de apuração do crime. Mas, não é só emblemático por ser tratar de apurar os mandantes do assassinato de uma política: mulher, negra e eleita legitimamente no processo eleitoral. Mas, também pelos desdobramentos ocorridos durante as investigações, onde se apurou e comprovou a existência de uma grande rede de criminosos que atuam e atuavam no Rio de Janeiro. Acredito que podemos ter esperança nesta nova fase da apuração deste crime tão devastador e com tantas vítimas diretas (Marielle e Anderson) e indiretas, seus familiares e toda a sociedade”, disse a advogada Tânia.

O vereador Tarcísio Motta (PSOL-RJ), também declara que tal situação demonstra a grande violência que circula o cenário político brasileiro atual e espera que o crime sirva de exemplo para que a defesa da democracia e do livre direito de defender seus ideais sejam lembrados e executados no modo de fazer política de agora em diante.

“Eu espero que a demonstração do caso sirva para que a gente reforce o absurdo de que é, em uma democracia, termos uma pessoa morta, assassinada, pelos valores e ideais que defende. O caso da Marielle com a visibilidade que teve, pode dar credibilidade inclusive para esse tipo de coisa que acontece na historia brasileira e que precisa acabar. A democracia pede isso. Que esse caso sirva para que a gente entenda o nível de violência política que se chegou no Brasil neste momento e que esse processo de violência política seja erradicado”, declarou o vereador.

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Talíria Petrone, Tarcísio Motta e Marielle Franco
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Talíria Petrone, Tarcísio Motta e Marielle Franco

O crime ganhou repercussão internacional pela constatação de que questões políticas foram a principal causa para o assassinato. Veículos como The New York Times  e  The Guardian,  entre outros, noticiaram o crime como um “descarado assassinato político ”.

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL) compartilha da mesma opinião. Para ela, o crime foi ocasionado por motivações políticas. E lembra que, quando a temática era segurança pública, Marielle incomodava seus opositores, especialmente pela defesa à segurança de jovens negros.

“Sem dúvida! Marielle foi a quinta vereadora mais votada em 2016. Tinha um mandato que se destacava em relação aos outros por tudo que ela representava. Fazia muita diferença numa casa legislativa formada, em sua maioria, por homens, brancos, héteros e da elite. Ela incomodava e colocava o dedo na ferida, principalmente quando o assunto era a política de segurança pública do estado que mata os jovens negros da periferia. Uma execução política que escancara o quanto a nossa tão frágil democracia está em risco”, contou a deputada federal.

Relembre o caso:

Em 2018, no dia 14 de março, Marielle Franco palestrou em um evento sobre feminismo, representatividade e negritude no bairro do Estácio, região central do Rio de Janeiro. Ao sair do local, se encaminhou para o carro no qual o motorista Anderson Gomes a esperava para levá-la para casa. O automóvel foi atingido por 13 disparos de uma metralhadora 9mm.

Quando o crime completou um ano, o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio Queiroz, foram presos sob a acusação de executarem o assassinato. Queiroz dirigia o veículo e Lessa deu os disparos. Em 10 de março de 2020, Gustavo Khalil, juiz da 4ª Vara Criminal, divulgou que os réus seriam submetidos a júri popular , porém, a data do julgamento ainda não foi definida.

O caso é marcado pela manifestação pública. E mesmo nesses três anos sem esclarecimento sobre o crime, existe uma comoção para que as investogações sejam concluídas. E para que o legado da vereadora perpetue nas gerações futuras. O Instituto Marielle Franco foi criado pela família da vereadora com o intuito de perpetuar seu legado. E para não deixar que a motivação do crime siga sendo investigada.

“Vamos seguir exigindo e perguntando quem mandou matar Marielle?”, finalizou Talíria Petrone.

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