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Vera Araújo / Agência O Globo
Wilson Witzel e Edmar Santos na época em que o oficial da PM ainda integrava o governo

Quatro dias após o ex-secretário de Saúde do Rio Edmar Santos afirmar, em delação premiada ao Ministério Público Federal (MPF) que sofreu ameaças dentro do Batalhão Prisional Especial da Polícia Militar, onde estava preso, em Niterói, o governador Wilson Witzel (PSC) disse que “determinou à Polícia Militar apuração rigorosa e a aplicação de todas as medidas necessárias”.

Witzel afirmou ainda que “quem errou tem que pagar”, mas não vai admitir, no seu governo, “qualquer tipo de coação a presos ou testemunhas”.

“Sobre as ameaças que (o) ex-secretário Edmar diz ter sofrido enquanto esteve preso, determinei à PMERJ apuração rigorosa e a aplicação de todas as medidas necessárias. Quem errou tem que pagar, mas não admitirei, no meu governo, qualquer tipo de coação a presos ou testemunhas”, escreveu o governador em seu Twitter no final da manhã desta segunda-feira.

A afirmação de ameaça de Edmar consta no acordo de colaboração firmado com o MPF e homologado na última semana pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Aos promotores, Edmar Santos — que é tenente-coronel — diz ter sofrido pressão enquanto esteve detido na prisão da PM.

De acordo com ele, um sargento, que também estava preso, tentou algumas vezes ter informações sobre uma possível delação premiada que o ex-secretário poderia fazer.

Segundo Edmar Santos, o sargento — durante todo o tempo — afirmava ser ligado ao deputado estadual e ex-vice prefeito de Belford Roxo Márcio Canella(MDB). Ainda de acordo com Edmar, o sargento disse que também tinha influência com outros políticos.

O ex-secretário de Saúde contou que não acreditava que os questionamentos fossem motivados por uma mera curiosidade, já que as perguntas eram feitas com frequência.

Ainda de acordo com o Edmar, um outro policial — desta vez um tenente de sobrenome Cabana — avisou que ele tinha que trocar de advogados. Esse oficial afirmou ainda que caso ele obedecesse, “o grupo não o abandonaria”. Edmar Santos afirmou que o policial não identificou a que grupo se referia. O médico, porém, disse acreditar que se tratasse de Pastor Everaldo (presidente do PSC) e seus aliados.

Gravações de conversas

Quando notou que iria "ser fritado" pelo governo após as denúncias de desvios de recursos durante a pandemia, e seguindo conselho de um deputado estadual, Edmar Santos teria gravado várias reuniões que teve com Witzel, o vice-governador Claudio Castro e diversos políticos.

Entre eles o pastor Everaldo, o secretário da Casa Civil André Moura e diversos deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

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