Bolsonaro elogiou o general que comanda a pasta há dois meses.
Marcos Corrêa/PR
Bolsonaro elogiou o general que comanda a pasta há dois meses.

Em meio a pressões pela substituição do ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello , o presidente Jair Bolsonaro fez na tarde desta quarta-feira uma série de elogios ao general da ativa do Exército que comanda há pasta há dois meses. Em uma postagem nas suas redes sociais, ele chamou Pazuello de "um predestinado", que "nos momentos difíceis sempre está no lugar certo para melhor servir a sua Pátria". E disse que o Exército "se orgulha desse nobre soldado". Ainda segundo o presidente, o ministro interino levou "apenas 15 militares" para a pasta, que conta com 5.500 servidores.

Na terça-feira, o GLOBO revelou que Bolsonaro está sendo pressionado pela ala militar do Palácio do Planalto e pelo centrão a escolher o sucessor Pazuello. O ministro, por sua vez, tem dito a aliados que já está de saída do ministério e que quer voltar à carreira militar para se aposentar como general quatro estrelas --uma a mais do que detém hoje. O movimento pela saída de Pazuello aumentou no fim de semana, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse que o Exército se associou a um "genocídio", em alusão à condução do governo Bolsonaro frente à epidemia da Covid-19.

O Ministério da Defesa classificou a declaração do ministro como “leviana” e disse que vai enviar uma representação contra Gilmar à Procuradoria-Geral da República (PGR). O episódio, no entanto, reforçou a opinião da ala militar do Palácio do Planalto de que Pazuello deve ser substituído para que não haja associação entre a gestão na Saúde e o Exército brasileiro. Na terça, Mendes entrou em contato com Pazuello, com quem disse ter tido uma conversa foi "cordial".

No texto divulgado nesta quarta, intitulado "Todos nós queremos o melhor para o Brasil", Bolsonaro apontou que Pazuello é formado na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e possui mais de 40 anos de experiêncial em logístca e administração. O presidente relatou ainda que o ministro interino teve, entre 2014 e 2015, a sua primeira grande missão como oficial general, na criação do Centro de Obtenções do Comando Logístico do Exército, e citou sua experiência nos Jogos Olímpicos de 2016, competição que "foi um sucesso e elogiada no mundo todo".

Bolsonaro lembrou ainda que Pazuello comandou a Operação Acolhida entre 2018 e 2020, quando "a situação de Roraima foi agravada com um crescente número de venezuelanos fugindo da ditadura e fome de Maduro". "A ONU e o mundo elogiam até hoje as ações do Exército na região", escreveu.

"Quis o destino que o Gen Pazuello assumisse a interinidade da Saúde em maio último. Com 5.500 servidores no Ministério o Gen levou consigo apenas 15 militares para a pasta. Grupo esse que já o acompanhava desde antes das Olimpíadas do Rio. Pazuello é um predestinado, nos momentos difíceis sempre está no lugar certo para melhor servir a sua Pátria. O nosso Exército se orgulha desse nobre soldado", concluiu o presidente, sem citado o antecessor do ministro interino, Nelson Teich, que ficou menos de um mês no cargo.

Na semana passada, Bolsonaro disse a jornalistas que Pazuello "é um nome que não vai ficar para sempre" e "já deu uma excelente contribuição para nós". Desde o início, o plano era que ele ficasse à frente da pasta durante a crise do coronavírus, mas depois voltasse para o Exército.

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