homem de terno e gravata
Antonio Cruz/Agência Brasil
Ministro Dias Toffoli


Em entrevista dada ao programa Roda Viva na noite desta segunda-feira (11), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, foi questionado sobre se as autoridades não deveriam dar respostas mais contundentes às ações de Jair Bolsonaro durante a crise do novo coronavírus (Sars-Cov-2) e respondeu de forma dura que notas de repúdio não solucionarão problemas.

“Nós não vamos construir unidade e solução de problemas através de notinhas públicas. Não é soltando notas que se resolve problemas tão graves quanto no nosso país”, disse. “Nós temos que resolver isso primeiro na política e a política é aqueles que são os governos eleitos pelo povo, poder executivo, poder legislativo, governadores de estado, parlamentos estaduais, prefeitos, parlamentos municipais, é a política que defende o futuro da nação”, continuou.

Leia também: Toffoli critica atos antidemocráticos: "Não há solução fora da democracia"

Toffoli disse, ainda, que todas as vezes que foram necessárias, ele afirmou que juízes se mantêm no plenário e “na arena do poder judiciário”, sem partir para campos políticos. “Juiz fala nos autos e fala no foro. Na sua casa, pontuou. Questionado sobre o decreto feito por Bolsonaro nesta segunda-feira (11), desautorizando governadores e permitindo o funcionamento de serviços como salões de beleza e academias de ginástica, Toffoli disse que não iria analisá-los antes por possibilidade de que eles fossem judicializados. “Me permita de não falar fora dos autos”, disse.

Antes mesmo de iniciar a entrevista, Toffoli lembrou que decretou luto de três dias em lembrança às 10 mil mortes ocorridas no país por causa do Covid-19. “Nesse momento, eu gostaria antes de mais nada, de externar em nome de toda Corte a minha solidariedade”, lamentou. Toffoli prestou, ainda, uma homenagem aos profissionais da saúde, aos profissionais da imprensa e aos que prestam serviços essenciais no momento de crise.

Leia também: Ao ir até Corte, Bolsonaro quis dividir consequências da pandemia, avalia STF

“Exemplo se dá trabalhando”

Questionado sobre se os ministros do Supremo Tribunal Federal, que chegam a ganhar remunerações superiores a R$ 30 mil, deveriam “de forma simbólica” ou como um exemplo abrir mão de parte dos salários no momento de crise atravessado no Brasil, o ministro Dias Toffoli comparou o salário recebido por ele e pelos colegas como semelhante a de funções de diretores de empresas de comunicação e disse que “exemplo se dá trabalhando”.

“No Supremo Tribunal Federal a remuneração líquida é metade do que seria o teto, então ali, nós estamos em uma função, que em qualquer empresa jornalística ganha-se mais, qualquer diretor, qualquer gerente ganha-se mais do que ministro do supremo tribunal federal. O supremo trabalha e trabalha muito”, garantiu.

Visita de Bolsonaro

O nome de Toffoli ficou em destaque na crise do novo coronavírus na última quinta-feira (7), quando o presidente do STF recebeu uma visita de última hora do presidente Jair Bolsonaro, do ministro da Economia Paulo Guedes e de representantes da sociedade empresarial brasileira.

Leia também: "Discurso do governo federal é o oposto da realidade", diz Witzel

Na conversa, que ocorreu pouco após o STF decidir que os estados seriam responsáveis pela aplicação de políticas de isolamento contra a pandemia, o presidente insistiu sobre a flexibilização da abertura do comércio e chegou a falar que a “liberdade” era mais importante do que a “vida”.

A visita foi criticada por outros ministros do Supremo, que consideraram o caso como "inadequado" e como uma tentativa do presidente de dividir a responsabilidade da recessão com o Judiciário.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Mostrar mais

      Comentários