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Maurício Valeixo

“Se Valeixo sair, eu saio”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro ao presidente Jair Bolsonaro, na tarde desta quinta-feira (23) segundo relatos ouvidos pela revista Veja . A fala foi feita após Moro saber que o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, seria demitido do cargo que o ministro o havia indicado, ainda em 2018.

A demissão de Valeixo foi oficializada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (24) e causa incerteza sobre o futuro do ex-juiz no governo Bolsonaro. Essa não é a primeira vez que Moro assume uma briga com o presidente para defender o diretor-geral. Mas, afinal, quem é Valeixo?

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Velhos amigos

O policial e o ministro se aproximaram em 2003, quando Valeixo , que havia entrado na PF em 1996, estava comandando o inquérito do Caso Banestado, o primeiro grande trabalho das varas especializadas em lavagem de dinheiro, recém-criadas no Brasil. Uma das varas era a de Curitiba, que era comandada por Moro, e os dois acabaram trabalhando juntos.

Ao longo de sua carreira, Valeixo foi se especializando em combate ao narcotráfico internacional e em ações de inteligência policial, assumindo em 2015 o cargo de Diretor de Combate ao Crime Organizado (Dicor). O posto o colocou na chefia das principais operações contra corrupção da PF – inclusive a Lava Jato, onde Moro e ele se encontraram outra vez.

"Eu sempre afirmei que seria um tolo se não aproveitasse pessoas que tralharam comigo, especialmente no âmbito da Operação Lava Jato, porque essas pessoas já provaram tanto sua integridade quanto sua eficiência", disse Moro em novembro de 2018, ao anunciar que Valeixo seria diretor-geral da Polícia Federal quando ele assumisse o Ministério da Justiça.

As provas de integridade e eficiência também se somaram às de lealdade a Moro . Em 2018, após decretar a prisão ao ex-presidente Lula, o então juiz insistiu que o petista fosse detido na sede da PF do Paraná, na época comandada por Valeixo. Também foi o policial que comandou a prisão do ex-presidente.

Briga com Bolsonaro

“A Polícia Federal não está para atender ao governo, ela está para atender o Estado brasileiro, para atender a sociedade brasileira”, afirmou Valeixo, em 2018, antes de assumir seu atual cargo.  O policial, que na época comandava a Superintendência da PF no Paraná, defendia instituições “fortes, independentes e republicanas”. 

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O cargo de diretor-geral da Polícia Federal, que era ocupado por Valeixo, reporta-se ao Ministério da Justiça. A ação de demissão dele teria sido uma forma de Bolsonaro ter mais controle dentro da PF e também uma demonstração de seu poder, já que a popularidade de Moro tem incomodado o presidente. Quando o ministro assumiu seu cargo, no entanto, lhe foi prometido autonomia. 

Em 2019, Bolsonaro tentou demitir Valeixo duas vezes. Nas duas vezes, Moro interveio, mantendo sua indicação no cargo. Mas segundo integrantes da PF, a desistência de Bolsonaro era temporária. Agora, depois da demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), o presidente veria oportunidade para mexer em mais alguns cargos de seu governo.

Trajetória policial de Valeixo

Assim como Moro, Valeixo, atualmente com 52 anos, nasceu no Paraná. Filho de um desembargador do Tribunal de Justiça, é de Mandaguaçu, cidade de 20 mil habitantes no norte do estado, a cerca de 450 km de Curitiba. Cursou Direito na PUC-PR e depois decidiu seguir carreira policial. Foi delegado da da Polícia Civil, participando da força de elite Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), e em 1996 entrou para a PF.

Após comandar a operação Banestado, assumiu a superintendência da PF no Paraná em 2009, cargo que ocupou até 2011, quando foi enviado para Brasília, para ser diretor-geral de Gestão Pessoal da PF e depois diretor de Inteligência Policial. Valeixo era próximo do ex-diretor-geral Leandro Daiello, ocupou o cargo durante os seis anos de governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

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Em 2013, foi enviado aos Estados Unidos como adido policial em Washington, posição ligada à Embaixada. Voltou ao Brasil em 2015, como Diretor de Combate ao Crime Organizado (Dicor), se envolvendo com as principais investigações de corrupção. Em 2017, Valeixo voltou à superintendência da PF no Paraná, cargo que ocupou até ser chamado por Moro para assumir a chefia de todos os policiais federais do Brasil.

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