Bruno Covas
Roberto Casimiro/Fotoarena/Agência O Globo
Bruno Covas é pré-candidato à reeleição na capital paulista

Bruno Covas , prefeito de São Paulo , participou de evento para 700 militantes do PSDB na manhã deste sábado antes de uma nova etapa no tratamento que faz contra o câncer na cárdia, região entre o estômago e o esôfago, diagnosticado em outubro. Nesta terça, ele será internado para exames que indicarão os próximos passos contra a doença. Segundo ele, não está definida a data de alta. Outros membros da alta cúpula tucana, como o governador João Doria, Geraldo Alckmin e Bruno Araújo, presidente nacional da sigla, não compareceram, mas enviaram vídeos de boas-vindas.

Por recomendação de seus médicos, Covas ficou afastado da multidão que lotou um auditório da Universidade Paulista (Unip) no bairro Paraíso, na zona sul de São Paulo. Durante meia hora, o pré-candidato à reeleição discursou no palco sobre conquistas da sua gestão.

Na frente do palco, foi deixado um vão de mais de um metro para evitar a proximidade com os espectadores.

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O apoio dos militantes veio no uso de fitinhas azuis no pulso com os dizeres "Foco, força e fé", distribuídas na entrada do salão de eventos. Em retribuição, Covas, de longe, tirou uma selfie com o auditório cheio no plano de fundo.

"Esse período difícil da minha vida vai me dar força para fazer mais", disse, antes da foto.

Pré-campanha pela reeleição

Eventos como esse devem entrar na rotina de pré-campanha pela reeleição, uma forma de substituir reuniões que faria com militantes nos 58 diretórios municipais do partido se não estivesse doente, conta Fernando Alfredo. Seguindo o plano, antes do diagnóstico, Covas já havia visitado 12 locais.

"Minha preocupação é que ele deixe a militância tranquilizada, porque todo mundo está preocupado com a saúde dele", justifica o presidente do diretório municipal, que antes da participação de Covas discursou à plateia destacando o "novo PSDB". Foi aplaudido ao enfatizar que é compromisso da sua gestão insistir na expulsão de Aécio Neves do partido.

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A defesa de qualidades do PSDB também permearam a fala do prefeito. Ao comentar o plano de desestatização da prefeitura de São Paulo, por exemplo, aproveitou para criticar outros partidos.

"Essa é a nossa maior diferença dessa direita raivosa, que acha que o Estado não tem que fazer nada além de prover segurança", disse, emendando que acredita no "papel do Robin Hood", ou seja, o de "cobrar imposto da classe mais rica para dar serviço para a classe mais pobre".

Piscinões contra alagamentos

Os estragos causados pelas chuvas fortes do começo da semana também foram comentados por Covas. No estado de São Paulo, o número de mortos chega a sete.

Ele atribui o fenômeno ao aquecimento global e à forma com que a cidade de São Paulo se expandiu, “ocupando várzeas de rio e canalizando córregos”. Segundo ele, o trabalho de prevenção da prefeitura deu resultado porque nenhum dos atuais 32 piscinões transbordaram.

"Em 24 horas, a cidade estava devolvida à população sem problema de abastecimento", afirma. Quando questionado sobre áreas ainda alagadas, respondeu que somente o tempo fará a escoamento completo de alguns lugares.

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A promessa é a de que a prefeitura entregue nesta gestão mais cinco piscinões (além de oito já entregues desde o começo do mandato). A verba para essas obras virá de parcerias público-privadas (PPPs) que devem começar em breve. O edital do primeiro lote de piscinões nesses moldes deve ser lançado ainda neste mês, anunciou.

Quem vencer essas PPPs terá de administrar quatro piscinões que já existem e construir os novos cinco. Outra novidade é que a concessão permitirá a construção de imóveis privados em cima da laje dos piscinões. O uso permitido dependerá do zoneamento.

Atualmente, as lajes de piscinões municipais não têm construções particulares. O exemplo mais conhecido de laje usada para construção é o do estádio Pacaembu, que passou recentemente da administração pública para a concessão à iniciativa privada por 35 anos.

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