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Jorge William / Agência O Globo
Bolsonaro recebeu ligação de Lorenzoni avisando que anteciparia a volta das férias

O presidente Jair Bolsonaro desistiu de nomear o ministro Luiz Eduardo Ramos para comandar interinamente a Casa Civil até segunda-feira, data prevista para Onyx Lorenzoni retornar do período de férias. A decisão foi revisada após Lorenzoni ligar avisando que decidiu antecipar seu retorno ao trabalho para esta sexta-feira (31) . Antônio José Barreto de Araújo Júnior será o secretário-executivo da Casa Civil e assume a interinamente o comando do ministério.

Na mesma edição extra do Diário Oficial da União, Bolsonaro torna sem efeito a nomeação de José Vicente Santini para o cargo de assessor especial da Secretaria de Relacionamento Externo da Casa Civil da Presidência, e também exonera Fernando Wandscheer de Moura do cargo de secretário-executivo da Casa Civil da Presidência.

Logo cedo, Bolsonaro sentiu pelas redes sociais o desgaste causado pela nova nomeação de José Vicente Santini para outro cargo na Casa Civil. Edição extra do Diário Oficial de ontem trouxe a recontratação dele como assessor de relacionamento externo da pasta.

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Em conversa pelo telefone logo pela manhã, Bolsonaro decidiu indicar Ramos para resolver o impasse da Casa Civil até o retorno de Onyx. Ele assumiria as funções interinamente até que o atual dono da pasta chegasse para buscar novos funcionários para o ministério.

Ao chegar ao Palácio do Planalto, Bolsonaro se reuniu com seus principais conselheiros: os ministros Jorge Oliveira (Secretaria Geral da Presidência) e Augusto Heleno (GSI). Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, na reunião, o ministro Heleno ponderou que a medida seria interpretada como um esvaziamento dos poderes de Onyx na Casa Civil.

Na conversa, o ministro Jorge também fez ponderações, segundo fontes. Jorge argumentou que, com a antecipação de Onyx das férias, a interinidade poderia ficar a cargo de um funcionário que conheça bem a tramitação da Casa Civil.

Onyx Lorenzoni resolveu antecipar seu retorno dos Estados Unidos, onde está de férias, ao Brasil, em meio à crise deflagrada pela decisão do presidente Jair Bolsonaro de demitir os secretários-executivos e retirar o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da pasta. O afastamento dele começou no último dia 18 e terminaria só no domingo.

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A Casa Civil vive um vácuo de comando nos últimos dias. Na terça-feira, Bolsonaro anunciou que iria demitir o então secretário-executivo, Vicente Santini, após ele utilizar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), primeiro para ir à Suíça e depois à Índia.

Santini comandava interinamente o ministério durante as férias do ministro. Na quarta-feira, pela manhã, foi publicada a exoneração de Santini e a promoção de Fernando Wandscheer de Moura Alves, que era secretário-executivo-adjunto, para secretário-executivo.

Como as férias de Onyx continuavam, Moura passou a atuar como ministro interino. Nessa condição, assinou a nomeação de Santini como assessor especial de relacionamento externo, publicada na noite de quarta. A Casa Civil afirmou que o presidente havia conversado com Santini e entendido que ele deveria “ seguir colaborando com o governo”.

Na manhã desta quinta-feira, Bolsonaro anunciou que tornará sem efeito a nova nomeação de Santini e que exonerará Moura, além de esvaziar o ministério com a retirada do PPI, que será transferido para o Ministério da Economia.

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