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Declaração faz referência a período em que os governos estadual e federal não dialogavam e foi feita após crítica do governador sobre censura na Bienal

 Crivella e Witzel arrow-options
Marcos de Paula / Prefeitura do Rio
"Já tivemos um Garotinho. Não queremos ter um garotão", diz Crivella sobre Witzel

O prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) partiu para o ataque na tarde desta sexta-feira (20) após ser criticado pelo governador Wilson Witzel (PSC), que afirmou que o alcaide
fez uma “lambança” ao censurar um livro com beijo gay entre dois personagens na Bienal do Livro. Em evento, Crivella mencionou o rompimento entre Witzel e o senador Flávio
Bolsonaro (PSL-RJ) —  que determinou que o PSL deixe o governo — para alfinetar o chefe do Palácio Guanabara, que, segundo Crivella, estaria “querendo aparecer” por ter a
intenção de se candidatar à Presidência da República.

"Não houve censura. Apenas mandei recolher o material para que fosse disponibilizado em lacres como determina o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)", disse Crivella que,
em seguida, continou: "Witzel decidiu antecipar a campanha (presidencial), e isso pode prejudicar o Rio no Regime de Recuperação Fiscal com a União. Já tivemos um Garotinho.
Tudo o que não queremos agora é um garotão", acrescentou Crivella, citando o ex-governador Anthony Garotinho e fazendo alusão a um período em que não havia diálogo entre os
governos federal e estadual.

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A declaração confirma um afastamento entre Witzel e Crivella, que chegaram a se aproximar nos últimos meses. O governador Wilson Witzel chegou até a cogitar apoiar a reeleição
de Marcelo Crivella à prefeitura do Rio, mas depois também se aproximou do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) por intermédio do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia
(DEM).

Nesta quinta-feira, Wilson Witzel falou para uma plateia repleta de executivos e políticos na abertura do Fórum Nacional, no BNDES, no Centro do Rio. Na ocasião, Witzel disse que o prefeito do Rio fez uma "lambança" na feira do livro realizada recentemente.

"Uma obra literária, se pudesse causar uma tragédia à sociedade, teria que ser muito diferente daquilo. Hoje, acho que o país está tendo uma consciência de que momento de disputar eleição é um e o momento de governar é outro. O que tiver de ser antagonizado que seja com respeito, sem estimular a intolerância. Meu filho, por conta da opção dele, certa vez, foi agredido quando saía do trabalho de madrugada, foi agredido pela intolerância", afirmou Witzel, que ficou emocionado e arrancou aplausos da plateia.

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Também durante o evento, Witzel afirmou que a decisão do senador Flávio Bolsonaro de retirar os deputados do PSL dos cargos em secretarias e órgãos para fazer oposição à sua
gestão não o deixou com "amplo direito de defesa". O governador disse ainda que os deputados do PSL são "bem-vindos" ao seu partido, o PSC .

"A decisão dele não me deu amplo direito de defesa e do contraditório. Eu fiquei surpreso. Estava em uma viagem de família e recebendo essas notícias. Em nenhum momento eu
recebi o telefone do senador Flávio, ele não falou comigo. Mas, como na Justiça, depois vem a contestação, a defesa. Vamos conversar", declarou o governador. "Eu não posso impedir ninguém de se desfiliar e também não posso impedir filiação ao PSC, até porque todos os deputados do PSL são excelentes, são deputados comprometidos com uma pauta que eu
defendo e eu tenho certeza que eles serão bem-vindos", completou.

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Procurado pelo Globo , o gabinete de Witzel afirmou que o governador não irá se pronunciar sobre as declarações de Crivella .