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Mensagens mostram que a procuradora Thaméa Danelon redigiu texto para que advogado Modesto Carvalhosa pedisse o impeachment de Gilmar Mendes, com o aval do chefe da força-tarefa em Curitiba, Deltan Dallagnol

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Nelson Jr./SCO/STF - 27.8.19
Cotada para cargo na PGR, procuradora Thaméa Danelon trabalhou pelo impeachment de Gilmar Mendes, revelam novas mensagens

Cotada por Augusto Aras para assumir a chefia da força-tarefa da Lava Jato na PGR, em Brasília, a procuradora Thaméa Danelon , do MPF paulista, trabalhou secretamente com o advogado Modesto Carvalhosa, para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes , fosse alvo de um pedido de impeachment. É o que revela o jornalista Reinaldo Azevedo em seu blog, em parceria com o The Intercept Brasil .

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De acordo com o site, Thaméa contou a Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa em Curitiba, em um chat privado no Telegram, que Carvalhosa, conhecido por pedir o impeachment de Dias Toffoli, presidente do STF, e do próprio Gilmar Mendes, trabalharia com ela para que o pedido de impedimento do ministro, visto como inimigo da operação, fosse feito.

"O Professor Carvalhosa [Modesto Carvalhosa, advogado] vai arguir o impeachment de Gilmar. Ele pediu para eu minutar para ele", escreve Thaméa, em 3 de maio de 2017 a Dallagnol, que responde: "Sensacional Tamis!! Manda ver". "Fala com o pessoal do RJ QUE TEM tudo documentado quanto à atuação do sócio da esposa", acrescenta o procurador.

"Já estou em contato com El Hage", responde na sequência a procuradora paulista.

A esposa em questão é a do ministro Gilmar Mendes, Guimar Feitosa Mendes, que é sócio do advogado Sérgio Bermudes, enquanto Eduardo El Hage, a quem Thaméa se refere, é o coordenador da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Thaméa também pede o apoio do colega: "É muito importante pra mim", escreve. Na medida que Deltan responde: "Apoiadíssima" e diversos emojis de aplauso. O coordenador da força-tarefa em Curitiba, na sequência, se oferece para avaliar o texto após a procuradora escrever.

"Eba!!! Obrigada!!! Já estou escrevendo!!! Quero sim!!! Lógico!!! Obrigada!!!", diz Thaméa. Logo depois, Deltan pede que ninguém fique sabendo que ele olhou a arguição - alegação com fundamentos - para que não seja enfraquecida.

"Vão dizer que é vingança pq soltaram Dirceu. Precisa sair da sociedade mesmo", pondera Dallagnol. "Entendi. Não falarei para ninguém de vc!!", garante Thaméa e pergunta: "Por que o Gebran demorou pra julgar o recurso do Dirceu? Pois ele sendo condenado em segunda instância, e pelo q o próprio STF falou, ele poderia voltar pra prisão".

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Em 2 de maio daquele ano, isto é, um dia antes da troca de mensagens, a Segunda Turma do STF havia concedido habeas corpus a José Dirceu, em prisão preventiva desde agosto de 2015. Ele foi condenado em primeira instância por Sergio Moro e seu recurso seria julgado pela 8ª turma do TRF4, onde o desembargador João Pedro Gebran Neto seria o relator. A soltura foi concedida por 3 votos a 2 e Gilmar foi um dos que votou a favor.

Relação com Augusto Aras

Indicado por Jair Bolsonaro para assumir a Procuradoria-Geral da República (PGR), Augusto Aras já cogitou nomear Thaméa Danelon para a chefia da força-tarefa da Lava Jato na PGR. Aras ainda precisa da aprovação por maioria simples do Senado para assumir o posto. Ele será submetido a uma sabatina na Casa em breve.

O que dizem os citados

Ao ser procurada por Reinaldo Azevedo para comentar as mensagens, a procuradora Thaméa Danelon respondeu: "A procuradora da República Thaméa Danelon não se manifesta sobre material oriundo de ato criminoso." O advogado Modesto Carvalhosa seguiu a mesma linha: "Não tomo conhecimento de matéria de origem criminosa como é o caso dessas matérias produzidas pelo The Intercept Brasil ."

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Já o procurador Deltan Dallagnol negou ter revisado o pedido de impeachment, além de dizer que não reconhece a veracidade das mensagens: "O procurador Deltan Dallagnol não revisou o pedido de impeachment nem teve contato com o professor Modesto Carvalhosa sobre o assunto. O procurador não reconhece as mensagens que são atribuídas à força-tarefa, que têm origem criminosa e têm sido usadas para falsas acusações e deturpações."

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