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Em proposta de delação, empresário cita repasses do petista à campanha de Michelle Bachelet e acordos com presidentes de outros países; entenda

Evo Morales e Lula arrow-options
Divulgação
O presidente da Bolívia, Evo Morales, e Lula sempre tiveram uma relação próxima

Ao negociar um acordo de delação premiada, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, afirmou que a empreiteira assumiu uma obra na Bolívia a pedido de Luiz Inácio Lula da Silva. O empresário também cita repasses do petista à campanha da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet. 

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A proposta de delação foi compartilhada por procuradores da Lava Jato no aplicativo Telegram, obtida pelo site The Intercept Brasil e divulgada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (16). A obra mencionada pelo ex-presidente da OAS é a construção de uma estrada entre as cidades de Potosí e Tarija, que havia sido iniciada pela Queiroz Galvão em 2003.

No entanto, a empresa se envolveu em um embate com o governo de Evo Morales e teve o contrato rompido quatro anos depois. Léo Pinheiro afirma que Lula pediu que a OAS terminasse a obra deficitária e, em troca, prometeu outro contrato para a empreiteira na Bolívia. 

De acordo com o empresário, a paralisação da obra estava provocando protestos na região e causava riscos diplomáticos. O custo total da construção da estrada gira em torno de US$ 226 milhões. 

Na proposta de delação, feita em junho de 2017, Léo Pinheiro também afirma que Lula era contratado pela empresa para influenciar em negociações na Costa Rica e no Chile. Segundo o documento, o ex-presidente teria recebido US$ 200 mil para intermediar um encontro entre o empreiteiro e o ex-presidente da Costa Rica, Óscar Árias, em uma conferência em 2011. 

Pinheiro também relatou que, em 2013, a OAS temia perder o contrato para a construção de uma ponte no Chile por conta da futura mudança de governo. Sendo assim, Lula teria conversado com o ex-presidente chileno Ricardo Lagos, que disse que a empresa continuaria responsável pela obra. 

O empreiteiro afirma ainda que pagou, a pedido do petista, 101,6 milhões de pesos chilenos à campanha de Bachelet, que assumiria a Presidência do país em 2014. Ela nega irregularidades. 

Em nota enviada à Folha , o embaixador da Bolívia no Brasil afirma que não conhece as declarações de Léo Pinheiro e que "em nenhum momento nos comprometemos a 'compensar' a OAS com outro trabalho". A defesa de Lula, por sua vez, afirmou que as declarações são estratégia da Lava Jato para "promover uma perseguição política contra o ex-presidente". 

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"Diálogos já revelados pela própria Folha envolvendo procuradores da Lava Jato mostram que Léo Pinheiro foi preso porque não havia apresentado uma versão incriminatória contra Lula . Da prisão, o empresário fabricou uma versão contra Lula para obter os benefícios que lhe foram prometidos", diz a nota. A defesa do empreiteiro não quis comentar.

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