Rodrigo Maia
Tomaz Silva / Agência Brasil - 2.9.19
Rodrigo Maia comentou resultado da pesquisa Datafolha

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira (2), no Rio, que quem tem que se preocupar com o aumento da reprovação da gestão do presidente Jair Bolsonaro é o próprio governo. Afirmou, no entanto, que não há como comparar o momento atual com o de presidentes anteriores, com avaliação melhor no mesmo período de governo, uma vez que Bolsonaro encontrou um país em recessão.

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"Não é que não preocupe. Se tem que preocupar, tem que preocupar o governo. Não estou defendendo nem criticando, estou fazendo uma análise", afirmou Maia , após um almoço da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), em um restaurante na Zona Sul do Rio.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira aponta que 38% dos entrevistados reprovam e 29% aprovam o governo Bolsonaro, índices piores do que os de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, para o mesmo período de governo.

Para o presidente da Câmara, o momento atual é "muito polarizado", o que também contribui para a queda da aprovação do governo. "Acho que a avaliação é uma comparação que a gente tem que tomar cuidado em fazê-la porque são ciclos diferentes. É um ciclo, com a vitória do presidente Bolsonaro, muito polarizado. Então, você comparar com o início do primeiro governo Dilma, onde ela pegou todo o crédito do presidente Lula, a eleição do presidente Fernando Henrique com o Plano Real... Vivemos uma crise social, econômica, uma polarização que vem através das redes sociais, da qual o presidente faz parte. Quando ele trabalha a polarização, é natural que ele fique com um segmento da sociedade e não tenha o outro", disse.

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Maia disse ainda que, com essa polarização, existe um centro a ser ocupado: "Fica claro que, na linha que o governo vem atuando, vai ficar nitidamente com esse núcleo mais à direita contra um núcleo mais à esquerda e vai ficar um campo no meio que vai precisar ser ocupado pela política".

O deputado afirmou que o governo ainda precisa avançar em temas relevantes, como o aumento da pobreza. Em julho, durante um café com jornalistas, Bolsonaro disse que "passar fome no Brasil é uma grande mentira".

"Voltamos a ter campanha de combate à fome no final do ano passado, antes do governo do presidente. O que o governo precisa é pensar pautas, não apenas pautas econômicas ou de costumes, mas pautas que possam, de fato, olhar o desempregado, o desalentado", afirmou, dizendo não saber se o governo está fazendo isso porque não o está acompanhando no dia a dia: "O governo acaba vocalizando mais essa política da polarização que o presidente gosta de fazer e não mostra algo que ele pode estar fazendo. O resultado da economia prova que estamos muito distante do que se prometeu e daquilo que a sociedade espera de qualquer governo".

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Ao comentar o projeto sobre abuso de autoridade, Maia disse não saber quais serão os vetos de Bolsonaro e nem como a Câmara se comportará sobre eventuais derrubada deles. O presidente deve vetar nove pontos. "Essa separação dos poderes é importante que fique clara. Cada um tem o direito de cumprir a sua função constitucional".

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