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Exonerado nos primeiros meses de governo, ex-ministro afirmou que o presidente se tornou 'arrogante, autoritário' e flerta com a velha política

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Valter Campanato/Agência Brasil
Ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno

Exonerado por Bolsonaro após uma polêmica com seu filho Carlos , o ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebbiano, afirma que os filhos do presidente são "muito mimados" e que os do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não atrapalhavam tanto". 

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , Bebianno afirmou que o vereador Carlos Bolsonaro tem "perfil um tanto quanto bipolar" e instabilidade emocional muito forte. Questionado sobre a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos, o ex-ministro afirmou que o presidente dá "um péssimo exemplo". 

"O capitão confunde o papel de pai biológico com 'pai' de uma nação. É um péssimo exemplo. O Eduardo não faz ideia do papel de um embaixador, não fala sequer o idioma. Bolsonaro sabe que ele não tem qualificação", afirmou. 

"Um rapaz muito jovem, muito mimado. Aliás, os três são mimados. Ao contrário do que se fala, 'Capitão, criou os filhos'. São mimados. Ele faz o que eles querem", disse. "[A indicação] é um grande equívoco do ponto de vista estratégico. O presidente coloca no colo eventuais problemas diplomáticos e transforma questões de Estado em pessoais", argumentou o ex-ministro à Folha

Bebianno afirmou ainda que o filho mais velho de Bolsonaro , o senador Flávio, cometeu "suicídio político" ao pedir que a Justiça suspenda as investigações sobre ele. "O eleitorado da família Bolsonaro deve se questionar: Se não há nada de errado, por que fazer tanta questão de ocultar e não permitir que venham à tona as movimentações bancárias?", perguntou. "Até aqui não me parece que o Flávio fez nada de errado, mas…"

Para Bebbiano,  Bolsonaro tentou "distorcer sua imagem" após a  exoneração e fez com que parecesse "um traidor". O ex-ministro diz ainda que, após eleito, Bolsonaro se mostrou arrogante, autoritário e agressivo, e que, atualmente, se porta mais de candidato do que como presidente. "Com sete meses de governo, tudo o que ele pensa é na reeleição". 

"Conheci um Jair Bolsonaro até a eleição. Esse eu considerava um amigo, um homem que conciliava firmeza e a humildade para ouvir. O que conheci após as eleições é outra pessoa", afirma. "Mostra algumas contradições. Defende a nova política. Mas não há nada mais velho na política do que empregar parentes e amigos. Essa indicação do Eduardo é o fim da picada", completou Bebianno. 

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Questionado se sentia arrependimento de ter assumido a presidência do PSL, Bebbiano confirmou. "Ele deveria ter colocado os filhos, já que são tão bons, para quebrar e carregar pedras como fiz", ressaltou. Agora longe do partido, o ex-ministro planeja concorrer à Prefeitura do Rio de Janeiro e já tem um candidato para as eleições de 2022:  "Outros nomes deverão surgir. Mas hoje acho João Doria o melhor nome para a próxima eleição".