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Filho do presidente afronta ministro da Secretaria-Geral e garante que não é verdade que ele teria falado com Jair ontem: "estive 24 horas ao lado dele"

Ministro Bebianno é um desafeto de um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro
iG Arte/Agência Brasil e Instagram
Ministro Bebianno é um desafeto de um dos filhos do presidente, Carlos Bolsonaro

Depois de rumores no Palácio do Planalto sobre uma suposta nova crise desencadeada no governo federal, dessa vez protagonizada por ele, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, afirmou à imprensa que "não existia crise nenhuma" e que, só nesta terça-feira (12), teria falado três vezes com o presidente Jair Bolsonaro. Porém, nesta quarta-feira (13), o vereador Carlos Bolsonaro desmentiu o ministro em uma rede social. 

"Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o presidente", declarou Bebianno ao jornal O Globo , negando ser motivo de instabilidade no executivo. Mas hoje, Carlos Bolsonaro afirmou que tal declaração é uma "mentira absoluta", pois esteve o dia inteiro ao lado do pai –no Hospital Albert Einstein, onde estava internado até a tarde de hoje , em São Paulo – e não presenciou qualquer conversa entre o presidente e o seu ministro. 

"Ontem estive 24 horas do dia ao lado do meu pai e afirmo: É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista ", disse Carlos, compartilhando uma notícia no Twitter.

A declaração de Carlos agrava os rumores sobre uma crise no governo federal, tirando parte da credibilidade de um dos ministros mais importantes do governo Bolsonaro . Bebianno havia garantido que conversou o presidente por meio de mensagens pelo WhatsApp. 

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Um dos temas da suposta conversa de Bebianno com Jair Bolsonaro teria sido o cancelamento de sua viagem ao oeste do Pará, programada para esta quarta. O motivo do cancelamento teria sido a previsão de alta hospitalar de Jair. Segundo Bebianno, a agenda foi suspensa a pedido de Bolsonaro, que desejava reencontrar seus ministros assim que voltasse para Brasília. 

Além de Bebianno , também cancelaram suas respectivas viagens o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e a ministra Damares Alves, da pasta Família, Mulher e Direitos Humanos.

O nome do ministro da Secretaria-Geral estaria protagonizando uma crise depois que o jornal Folha de S.Paulo publicou, no fim de semana, uma matéria a respeito da candidata a deputada federal do PSL Maria de Lourdes  Paixão, que teria recebido R$ 400 mil do partido para fazer campanha, mas não conquistou mais de 300 votos.

A candidata é apontada como possível laranja do partido , já que recebeu uma das maiores quantias despendidas pelo PSL durante as eleições. Na época, o ministro Gustavo Bebianno era presidente da legenda, já que ele comandou o partido entre janeiro e outubro de 2018. Hoje, a Polícia Federal intimou a candidata a prestar depoimento.

Não é de hoje que o ministro é visto como um desafeto do vereador Carlos Bolsonaro . Afinal, o parlamentar carioca seria o responsável por advogar junto ao pai para que Bebianno tenha menos poder no governo federal, apesar de ocupar o cargo de confiança que ocupa.