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Representantes das associações de procuradores argumentam que o respeito aos nomes já indicados é garantia do combate à corrupção

Montagem com indicados para lista tríplice da PGR arrow-options
Divulgação/ANPR
Mário Bonsaglia, Luiza Frischeisen e Blal Dalloul compõem lista tríplice para a PGR

Sob o argumento de garantir o papel do Ministério Público no combate à corrupção, representantes de entidades de classe têm percorrido gabinetes de senadores pressionando para que eles rejeitem uma eventual escolha do novo procurador-geral da República caso ele venha de fora da lista tríplice entregue pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) ao presidente Jair Bolsonaro.

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O movimento ocorre em um momento em que o nome do subprocurador-geral Augusto Aras, que nem disputou a eleição interna, é apontado como o mais forte. A atual PGR, Raquel Dodge, também não participou da disputa interna no MPF. O lobby da categoria pela lista tríplice começou anteontem, primeiro dia dos senadores em Brasília após o recesso.

Bolsonaro não é obrigado a seguir a indicação da ANPR, mas esta tem sido a praxe desde 2003. Os três integrantes da lista este ano são Mário Bonsaglia, Luiza Frischeisen e Blal Dalloul.

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Nas conversas com senadores, representantes das associações têm argumentado que a escolha de um dos três daria garantia de que qualquer um deles está preparado para exercer o cargo com excelência. Apostando nos senadores que se elegeram com a bandeira de combate à corrupção, dizem que a escolha de um integrante da lista é a segurança de que o PGR terá independência para investigar ações e integrantes do governo. As conversas têm ocorrido com senadores da oposição, independentes e governistas.

As conversas têm ocorrido com senadores da oposição, independentes e governistas. Líder da oposição, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) diz que é "totalmente" a favor da lista.

"Se não tiver a lista, vamos fazer resistência. Qualquer coisa que não seja o respeito à lista é a subversão do papel do MP. É buscar cumplicidade com a corrupção. Não cumprir a lista é um retrocesso atroz ao que o MP representou até hoje como instituição de combate à corrupção ", diz Randolfe.

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O líder do governo na Casa, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), nega que haverá maior dificuldade na aprovação de uma indicação do PGR, caso Bolsonaro escolha um nome fora da lista tríplice . "Não teremos problema", diz.