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Último registro oficial da presença do filho do presidente havia sido em 8 de abril

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Marcio Alves
Carlos Bolsonaro voltou ao Planalto depois de muito tempo


O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) retornou ao Palácio do Planalto na segunda-feira (5) após cerca de quatro meses sem pisar no local de trabalho do pai, de quem havia se distanciado em abril. Na ausência do presidente Jair Bolsonaro , que estava em um evento na Bahia, o parlamentar reencontrou o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, pela primeira vez desde que disparou críticas contra a atuação da pasta na segurança do pai, no mês passado. Nas redes sociais, Carlos disse que "há meses" gritava "em vão" sobre a segurança do GSI, mas sempre foi "ignorado".

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 Depois que a passagem de Carlos Bolsonaro pelo Planalto foi revelada em reportagem do jornal Valor Econômico , publicada nesta terça, o vereador contou no Twitter que esteve em Brasília visitando o pai e amigos e foi "gentilmente recebido" por Heleno. "Agradeço ao Ministro pela maneira carinhosa que me recebeu e me tratou!", escreveu. "Volto logo. Um abraço aos membros do Governo pelo excelente trabalho que vêm desenvolvendo!", acrescentou.

O encontro não está na agenda de Augusto Heleno , mas de acordo com a assessoria do GSI ocorreu no terceiro andar do Palácio, onde fica o gabinete do presidente. Segundo uma fonte ligada ao vereador, o ministro o tratou com cortesia, ignorando as críticas. No mês passado, ele disse que o filho de Bolsonaro é "extremamente traumatizado" pelo atentado a faca sofrido pelo seu pai durante a campanha eleitoral. 

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O "Valor" informou que Carlos, um dos mentores da estratégia de comunicação do presidente desde a campanha eleitoral, tem usado o gabinete do pai no Planalto para fazer reuniões e cobrar de ministros que defendam o presidente e o governo de forma mais enfática do que ele classifica como "ataques" da imprensa. Segundo auxiliares de Bolsonaro, embora não tenha cargo formal no governo, ele continua atuando como uma espécie de consultor informal do pai nessa área.  

Questionada pelo GLOBO se o filho despachou no gabinete do presidente, a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência não respondeu. Em e-mail enviado quase seis horas depois, afirmou que "compromissos e detalhamentos" de agendas do vereador devem ser direcionadas a sua assessoria, que não foi encontrada pela reportagem durante a tarde. Indagada por telefone se Carlos trabalhou na sala do pai, uma assessora disse não ter essa informação, que foi solicitada às 8h53 da manhã. 

Não consta na agenda oficial de Bolsonaro que ele tenha encontrado o vereador em reunião, depois de retornar a Brasília, no fim da tarde. O GLOBO apurou que o parlamentar chegou a se encontrar rapidamente com dois assessores especiais do presidente José Matheus Sales Gomes e Tércio Arnaud Tomaz, que trabalharam no seu gabinete na Câmara dos Vereadores do Rio. 

Até o início da tarde desta terça, a segunda-feira era o único dia indisponível na agenda oficial dos dois. Apenas depois que a reportagem do GLOBO fez o questionamento à Secom, a página foi ao ar. Em ambos, consta apenas uma audiência com outro filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), às 14h. De acordo com uma assessora de imprensa, "não foi nada escondido, foi só um erro". 

A única audiência devidamente registrada em agenda foi com o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, às 9h30, em seu gabinete no 3º andar da sede do governo federal, de onde o presidente também despacha. O ministro é amigo da família Bolsonaro e tem elogiado Carlos Bolsonaro , que comemorou publicamente sua indicação para o cargo, em junho. Segundo sua assessoria, foi apenas uma visita de cortesia.