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Nova reclamação disciplinar aberta pela Corregedoria trata de eventos com banqueiros e empresa citada na Lava Jato reveladas em mensagens

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Lucas Tavares / Zimel Press / Agência O Globo
Procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, durante palestra no Rio de Janeiro

A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu nesta sexta-feira (2) uma nova investigação para apurar supostas irregularidades numa palestra secreta do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba, para um grupo de banqueiros durante a campanha eleitoral do ano passado.

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O procurador também deverá ser investigado por dar uma palestra para Neoway Tecnologia, empresa investigada pela força-tarefa coordenada por ele. Há no CNMP oito reclamações abertas para apurar supostos desvios de conduta de Dallagnol . Ele tem negado irregularidades e não reconhece a autenticidade de todas as mensagens que vem sendo divulgadas pelo site The Intercept Brasil .

A ordem para a investigação consta de uma reclamação disciplinar instaurada pelo corregedor do Conselho Nacional, Orlando Rochadel Moreira. Na mesma reclamação, o corregedor determina a apuração de supostos ataques de Dallagnol a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre conduções coercitivas.

As novas investigações deverão ser incluídas em outras reclamações disciplinares já abertas e que, para o corregedor, tratam de assuntos similares. Rochadel decidiu instaurar as três frentes de apuração a partir de uma representação formulada por parlamentares de oposição, entre eles o deputado Paulo Pimenta (PT-RJ). Para os deputados, Dallagnol teria burlado a lei ao fazer uma palestra secreta para banqueiros, num evento organizado pela XP Investimentos em junho do ano passado.

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Dallagnol foi chamado para falar sobre Lava Jato e eleições para representantes do J.P. Morgan, Goldman Sachs e Deutsche Bank, entre outros bancos, segundo reportagens do site The Intercept . Desde o início de junho o site vem publicando conteúdo de mensagens extraídas do Telegram de Dallagnol. Para os deputados, o procurador usou informações públicas, obtida em razão do cargo de procurador, para ganhar dinheiro.

No período, banqueiros queriam saber quais seriam os impactos da Lava Jato nas eleições presidenciais. As informações poderiam ser úteis na movimentação de capitais e na definição de investimentos. Segundo o Intercept, Dallagnol estava ciente dos problemas que poderia enfrentar por causa da palestra. "Achamos que há risco sim, mas que o risco tá bem pago rs”, escreveu Dallagnol, numa conversa com o também procurador Roberson Pozzobon, em fevereiro, quatro meses antes da palestra.

“Mas de fato é nessa questão dos bancos que a coisa é mais sensível mesmo. Vamos conversar com calma depois", teria ponderado Pozzobon . Dallagnol também será investigado por fazer palestra para a Neoway, empresa que apareceu nas investigações da força-tarefa de Curitiba em 2016. Chefe da investigação, Dallagnol teria recebido R$ 33 mil pela palestra, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo no último dia 26.

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"A imagem social do Ministério Público deve ser resguardada. A sociedade deve ter a plena convicção de que os Membros do Ministério Público se pautam pela legalidade, mantendo a imparcialidade, evitando conflitos de interesse entre sua atuação funcional e atividades acadêmicas privadas, bem como mantendo o zelo para com as instituições", escreveu Rochadel ao explicar a instauração da reclamação disciplinar contra Dallagnol .