Tamanho do texto

Governo pôs militares e integrantes do PSL no órgão; presidente diz que troca não tem a ver com certidão de óbito emitida para desaparecido político

Jair Bolsonaro arrow-options
Marcos Corrêa/PR - 24.7.19
Bolsonaro disse que governos anteriores colocavam "terroristas" na Comissão de Mortos e Desaparecidos

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (1) que a  mudança na Comissão de de Mortos e Desaparecidos Políticos (Cemdp), publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira, reflete a orientação política do seu governo, "de direita". De acordo com Bolsonaro, governos anteriores colocavam "terrorista" na comissão e não havia críticas.

Leia também: PGR move ação contra decreto de Bolsonaro que acabou com cargos

 "O motivo é que mudou o presidente, agora é o Jair Bolsonaro, de direita . Ponto final. Quando eles botavam terrorista lá, ninguém falava nada. Agora mudou o presidente. Igual mudou a questão ambiental também", afirmou Bolsonaro, ao deixaro Palácio da Alvorada.

Na mesma semana em que  fez ironias sobre a morte do perseguido político durante a ditadura e pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Bolsonaro decidiu trocar quatro dos sete membros da Cemdp. Colocou no lugar militares e integrantes do PSL. A presidente da comissão Eugênia Augusta Fávero, que esta semana criticou Bolsonaro pelas declarações sobre o ex-militante Fernando Santa Cruz, está entre as excluídas. Ela foi substituída por  Marco Vinicius Pereira de Carvalho, advogado, filiado ao  PSL e assessor da ministra Damares Alves (Direitos Humanos).

Bolsonaro disse que a troca de membros não está relacionada às suas declarações sobre Fernando Santa Cruz, desaparecido desde 1974. A Comissão havia emitido, em 24 de julho, um atestado de óbito que contrastava com a versão do presidente para o desaparecimento do estudante. "Não tem nada a ver uma coisa com a outra", afirmou.

Em nota, a presidente substituída da comissão, Eugênia Gonzaga, disse que lamentava pelas famílias de mortos e desaparecidos . Para ela, "ao que tudo indica", a decisão do governo  foi "uma represália" por sua postura.

Veja quem são os novos membros

Marco Vinicius Pereira de Carvalho (advogado filiado ao PSL) substitui Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, atual presidente do colegiado


Weslei Antônio Maretti (coronel reformado do Exercito) substitui Rosa Maria Cardoso da Cunha (ex-integrante da Comissão da Verdade)


Vital Lima Santos (oficial do Exército) substitui João Batista da Silva Fagundes (coronel da reserva e ex-deputado)


Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro ( deputado federal do PSL) substitui Paulo Roberto Severo Pimenta (deputado federal do PT)