Tamanho do texto

Rêgo Barros reafirma acusação contra jornalista, mas afirma que Presidente não coloca em xeque a liberdade de imprensa

Rêgo Barros arrow-options
Alan Santos/PR - 22.7.19
Porta-voz da Presidência defendeu Bolsonaro


O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse, nesta segunda-feira (29), que o presidente Jair Bolsonaro baseia-se em um "entendimento pessoal" para afirmar que jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil , cometeu um crime no ao divulgar mensagens atribuídas a procuradores e políticos . Questionado se o presidente está dizendo que o jornalista atuou como hacker, Rêgo Barros disse que era preciso entender "o contexto no todo".

 Ao ser perguntado se Bolsonaro tinha acesso ao inquérito da Polícia Federal, que corre em sigilo, Rêgo Barros disse: 

Leia também: Comissão da Verdade contraria Bolsonaro sobre morte do pai do presidente da OAB

"O presidente tem se pronunciado no entendimento dele pessoal com relação a essa ação de hackers: "a intenção de atingir a Lava Jato, o ministro Sergio Moro, a minha pessoa, tentar desqualificar e desgastar o governo."  Essa é a posição do presidente em relação a tudo isso que está ocorrendo neste caso por você citado. Ele ressaltou ainda que a invasão de telefone "é crime e ponto final", disse.

Ao ser indagado sobre qual o crime Glenn Greenwald havia cometido, o porta-voz rebateu perguntando se havia "alguma dúvida sobre o crime." Questionado novamente, Rêgo Barros comentou:

Leia também: "Não tinha ninguém pra dar um tiro?", questiona Bolsonaro sobre morador de rua

"Não há dúvida. Por parte do presidente não há dúvida. Acho que não há dúvida por parte de ninguém", respondeu.

O site vem publicando desde o mês passado mensagens trocadas entre procuradores da República e o ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça no governo Bolsonaro. Segundo as reportagens, Moro orientou os procuradores , deixando de atuar com imparcialidade nos processos da Operação Lava-Jato. A PF prendeu quatro suspeitos de invadirem os telefones dos procuradores e outras pessoas. O hacker Walter Delgatti Neto disse que enviou o conteúdo ao site de forma anônima e sem receber qualquer pagamento, algo de que Bolsonaro disse desconfiar.

Leia também: Bolsonaro ignora Constituição e diz que Glenn não pode proteger hacker

Os jornalistas do Intercept destacam o direito de manterem a fonte do material em sigilo. Eles defendem a publicação das mensagens obtidas que tenham interesse público. Pelo Twitter, Greenwald disse que Bolsonaro não entende a Constituição brasileira, que assegura o sigilo da fonte. O porta-voz, por sua vez, afirmou ainda que as falas de Bolsonaro não atentam contra a liberdade de imprensa.

"O presidente Bolsonaro não colocou em xeque momento nenhum a necessidade de liberdade de imprensa com a qual ele se associa em totum", respondeu.