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Presidente homenageou o marechal Castelo Branco, primeiro dos quatro presidentes do período militar (1964-1985), durante evento sobre FGTS

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Marcos Corrêa/PR - 24.7.19
Bolsonaro exalta ex-presidente da ditadura e diz que foi eleito 'à luz da Constituição'

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) aproveitou um evento sobre a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nesta quarta-feira (24) para defender o golpe militar de 1964 . Ao dizer que irá visitar a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) na quinta-feira (25), Bolsonaro fez questão de ressaltar que ela foi criada por Humberto Castelo Branco, primeiro presidente da ditadura militar, que durou 21 anos. Segundo Bolsonaro, Castelo Branco foi eleito "à luz da Constituição de 1946".

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"Amanhã, quinta-feira, estaremos em Manaus, vendo a questão da Suframa, criada em 1967 pelo presidente Castelo Branco, eleito à luz da Constituição de 1946, em uma sessão da Câmara dos Deputados em 11 de abril de 64, onde teve a honra de contar com os votos de Ulysses Guimarães e Juscelino Kubitschek. No dia 15 de abril de 64, Castelo Branco assumiu o governo e recebeu então a Presidência das mãos do então deputado federal Ranieri Mazzilli. Isso é História", disse Bolsonaro , sorrindo.

Castelo Branco foi eleito pela Câmara dos Deputados porque a Presidência havia sido declarada vaga em 2 de abril, durante um levante militar. Em 2013, essa sessão que declarou a vacância foi anulada pelo Congresso. O presidente João Goulart estava no Brasil quando a vacância foi declarada.

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Com a deposição de João Goulart, o nome do general surgiu como o de candidato do Exército. Castelo Branco foi eleito com 361 votos a favor, contra 72 abstenções. Ele teve o apoio do ex-presidente Juscelino Kubitschek e de Ulysses Guimarães, que depois seriam alguns dos principais opositores da ditadura militar.

Em março, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que Bolsonaro havia determinado que o Ministério da Defesa fizesse "as comemorações devidas" do golpe militar . Depois, o presidente disse que a orientação na verdade era para "rememorar , rever o que está errado, o que está certo e usar isso para o bem do Brasil no futuro".

Os anos de ditadura militar foram marcados pelo fechamento do Congresso Nacional, cassação de direitos políticos, perseguição, tortura e morte de adversários políticos, além de censura à imprensa.

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Esta não é a primeira vez que Bolsonaro se mostra saudosista ao período militar. Durante a votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, ele dedicou seu voto favorável ao torturador condenado Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel que chefiou o DOI-CODI (principal órgão de repressão da ditadura) durante 1970 e 1974, tratado como herói pelo então deputado, que morreu em 2015.