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Para o ministro das Relações Exteriores, intervenção foi necessária "para que o País não virasse ditadura"; Bolsonaro determinou comemorações ao golpe

Ernesto Araújo disse que não houve golpe militar em 1964
Marcelo Camargo/ABr
Ernesto Araújo disse que não houve golpe militar em 1964

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quarta-feira (27) na Câmara dos Deputados que não considera que houve golpe no Brasil em 1964, e que a intervenção militar foi "necessária para que o País não virasse uma ditadura". 

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"Não considero um golpe. Considero que foi um movimento necessário para que o País realmente não virasse uma ditadura. Não tenho a menor dúvida em relação a isso", afirmou Ernesto Araújo , na Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Câmara. 

O ministro havia sido questionado por Glauber Braga (PSOL-RJ) sobre sua opinião acerca do golpe de 1964. O deputado ainda perguntou a Araújo se o período de 1964 a 1985, em que o Brasil foi comandado por militares, não poderia ser considerado uma ditadura. O ministro não respondeu. 

Após a fala, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) insistiu e questionou "não teve ditadura no Brasil então?". No entanto, Eduardo Bolsonaro (PSL), que presidia a sessão, interrompeu o assunto e pediu para que o chanceler continuasse respondendo as outras perguntas. 

A discussão sobre o regime militar no Brasil começou depois que o presidente Jair Bolsonaro determinou, na segunda-feira (25), que as Forças Armadas façam "comemorações devidas" no próximo domingo (31), dia em que o golpe de 1964 completa 55 anos. 

A determinação gerou polêmica nas redes sociais e entre orgãos ligados à defesa dos direitos humanos. Ontem, a Defensoria Pública da União anunciou que ajuizará uma ação pública para impedir que a data seja comemorada. 

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), também repudiou a decisão de Bolsonaro e declarou que “comemorar a instalação de uma ditadura que fechou instituições democráticas e censurou a imprensa é querer dirigir olhando para o retrovisor, mirando uma estrada tenebrosa”. O presidente da Ordem, Felipe Santa Cruz, também sugeriu que o País "olhe pra frente" e "trate do que importa: o futuro do povo brasileiro". 

Na Câmara, o ministro respondeu às críticas da oposição e disse que a política de aproximação com os Estados Unidos não representa uma submissão aos interesses norte-americanos. "Eu acho que o que existia antes era um complexo de inferioridade em relação aos Estados Unidos, no qual tinha-se a sensação de que qualquer cooperação com os EUA viria em detrimento do Brasil", defendeu. 

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Ernesto Araújo também afirmou que o Brasil não está se distanciando da China, principal parceiro comercial do País, e afirmou que o governo não terá "entreguismo nem com a China e nem com os EUA".