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Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o governador de São Paulo fez coro à pressão de tucanos pela expulsão de mineiro; entenda o processo

João Doria (PSDB)
Divulgação/Governo do Estado de São Paulo - 2.2.19
Governador de São Paulo, João Doria (PSDB) tem atuado para aprovar nova Previdência de Bolsonaro

O governador de São Paulo, João Doria ( PSDB ), disse nesta quarta-feira que o deputado federal Aécio Neves(PSDB-MG) deveria sair espontaneamente do partido para evitar a necessidade de expulsão . A declaração foi dada ao jornal O Estado de S. Paulo  em Cambridge, na Inglaterra, onde Doria participa de evento com investidores, em meio à pressão de tucanos de pela saída de Aécio da sigla devido às investigações da Lava Jato contra ele.

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Doria disse que o "o melhor seria uma saída espontânea". Segundo ele, seria a forma mais "clara, transparente, equilibrada e serena" de conduzir o processo.

"Esta é uma solução política e eticamente adequada, mas é uma decisão que compete a ambos. Mas se não adotarem, o PSDB vai adotar", afirmou o governador paulista. De acordo com Doria, a manutenção de Aécio no partido tem gerado um "mal-estar".

Investigado em oito inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal voltou a ser notícia na última sexta-feira, quando a Justiça Federal de São Paulo ratificou o recebimento de uma denúncia já aceita anteriormente pelo Supremo, em que o tucano é acusado de pedir R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, do Grupo J&F.

"Manter a filiação (de Aécio ) diante de fatos aparentemente graves provoca em vários setores do PSDB um mal-estar. E diante da perspectiva das eleições de 2020, esse mal estar vai crescer", disse.

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Ainda na entrevista, Doria disse que o partido "não vai virar as costas" para a sua história, mas precisa olhar para o futuro. De olho na campanha de 2022, o governador paulista, possível candidato à Presidência, tem defendido um "novo PSDB".

Na semana passada o diretório municipal de São Paulo do PSDB encaminhou um pedido de expulsão de Aécio à Executiva Nacional do partido. O diretório mineiro reagiu nesta erça-feira, ameaçando revidar com denúncias contra tucanos paulistas.

Os dirigentes paulistanos defenderam a expulsão como medida para"estancar a sangria" do partido. "É uma sangria que não estanca. Nos embates políticos aqui na cidade somos sempre confrontados com a questão do Aécio. Precisamos dar resposta", afirmou o presidente do PSDB paulistano, Fernando Alfredo.

Antes de o pedido ser analisado, no entanto, o partido precisa instalar o conselho de ética, o que não há previsão para acontecer.

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, disse que, assim que for instalado o colegiado, a representação do diretório paulistano será encaminhada.

"Toda e qualquer representação contra filiados será encaminhada diretamente ao conselho de ética, que é o órgão competente do partido para analisar essas questões e tem regramento próprio para fazê-lo", disse.

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Aécio não demonstra disposição em se licenciar. Procurado para comentar o pedido de expulsão nesta terça-feira, o deputado não quis comentar. Em nota, informou que “não existe nova denúncia contra ele” e que o Supremo Tribunal Federal “apenas transferiu denúncia para a Justiça Federal de São Paulo”. Aécio reafirmou ser inocente das acusações da Lava Jato.