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MP do TCU poderá enviar novos questionamentos; Glenn é o responsável pelo site que vem revelando trocas de mensagens atribuídas ao ex-juiz federal Sergio Moro e procuradores da LavaJato em Curitiba

Sob alegação de sigilo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) não esclareceram em suas respostas enviadas ao Tribunal de Contas da União (TCU) se o conselho investiga movimentações financeiras atípicas do jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil .

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Glenn Greenwald
Foto: Daryan Dorneles.
Glenn Greenwald

Em documento assinado eletronicamente, o presidente substituto do Coaf, Jorge Luiz Alves Caetano, disse que o órgão não se pronuncia sobre “casos concretos” e não informou se a Polícia Federal pediu investigação ou até mesmo se o órgão decidiu investigar Glenn Greenwald .

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“Na hipótese ora figurada, é importante reiterar que tanto intercâmbio porventura iniciado pela Polícia Federal quanto eventual RIF disseminado seguiriam cobertos pelo sigilo imposto pela Constituição Federal e pelas leis do País, ressalvadas as estritas hipóteses de quebra de sigilo. Por essa razão ao longo de vinte ano de existência, o Coaf não se pronuncia sobre caso concreto, tampouco acerca de matérias e especulações jornalísticas ou de qualquer natureza.”

Já o ministro Paulo Guedes afirmou desconhecer os “fatos noticiados nos autos”. Guedes argumentou que apenas o Coaf “poderá detalhar os mecanismos adotados para evitar que os recursos do órgão sejam empregados em desacordo com a finalidade institucional”.

Autor do pedido, o ministro do TCU, Bruno Dantas, enviou as respostas diretamente ao Ministério Público do Tribunal de Contas da União (MPTCU ). Se o MPTCU não considerá-las satisfatórias, poderá solicitar novos questionamentos aos responsáveis.

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Glenn Greenwald é o responsável pelo site The Intercept Brasil , que vem revelando as trocas de mensagens atribuídas ao ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, e procuradores da Lava-Jato em Curitiba, em especial Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa responsável pela operação. As mensagens indicam que Moro teria interferido nas investigações e atuado como uma espécie de coordenador em diversas diligências.