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Entendimento é que falas do filho do presidente sobre descrença no GSI devem ser "desconsideradas", por se tratarem de "mais uma" do vereador

Carlos Bolsonaro
Renan Olaz/CMRJ
Críticas de Carlos foram tema de conversa nesta terça-feira entre Bolsonaro e Heleno

O Palácio doPlanalto age para evitar que as críticas do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) ao desempenho do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo ministro Augusto Heleno, se alastre como a mais nova crise do governo Jair Bolsonaro. Apesar do evidente incômodo entre os militares com as declarações do filho do presidente, oficialmente o silêncio foi adotado como uma medida de contenção de danos.

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O entendimento é que as manifestações de Carlos Bolsonaro devem ser "desconsideradas" por se tratarem de "mais um episódio" do vereador, que tem um histórico de provocar desavenças no governo por meio de seus posicionamentos na internet.

Dois assessores palacianos afirmaram ao Globo que as críticas de Carlos foram tema de conversa nesta terça-feira entre Bolsonaro e Heleno, considerado o seu principal auxiliar.

Questionado especificamente sobre o diálogo, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse apenas que o presidente conversa com o ministro-chefe do GSI "24 por 7”, ou seja, 24 horas por dia e sete dias por semana.

Ao ser indagado por que o presidente não fez uma defesa pública de Heleno, o porta-voz voltou a afirmar que Bolsonaro , "não apenas neste caso específico, por tratar-se do seu filho, o vereador Carlos", não comenta posições pessoais nas mídias sociais.

"Em relação a um eventual aporte ao general Heleno, ele o faz diariamente. Tem um apreço especial pelo general, o tem como dos ministros o sênior, com quem ele dialoga e troca ideias. Isso, claramente, deixa ao general Heleno a sensação e a certeza da confiança do presidente no trabalho que ele desenvolve", disse Rêgo Barros em declaração à imprensa, na noite de terça-feira.

Mais cedo, ao ser questionado sobre o assunto, o presidente se irritou e mandou que a pergunta fosse feita ao seu filho Carlos. Na saída de um almoço no Ministério da Defesa, ao lado de Heleno, Bolsonaro interrompeu outra vez a conversa com jornalistas ao ser indagando novamente sobre o tema.

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"Até mais aí", disse o presidente, virando as costas e caminhando para o carro. Instado a se manifestar, o ministro do GSI foi categórico: "Eu não!", respondeu Heleno , que tem demonstrando irritação com as insistentes perguntas sobre o filho do presidente.

Descrença

Carlos Bolsonaro respondeu na segunda-feira a uma postagem sobre a prisão de um militar da Aeronáutica com 39 kg de cocaína na Espanha na semana passada (o segundo-sargento Manoel Silva Rodrigues, que integrava a equipe de apoio à comitiva presidencial) e afirmou que os homens do Gabinete de Segurança Institucional ( GSI ) estão subordinados a algo em que ele não acredita.

Reservadamente, militares não poupam críticas duras ao comportamento do vereador, que, segundo eles, "atrapalha o governo do pai." O incômodo com Carlos já vem desde os atritos com o vice-presidente Hamilton Mourão e ao ex-ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz. Naquela época, o presidente já havia pedido silêncio sobre Carlos. No novo episódio envolvendo Heleno, a postura seguirá a mesma.

Conforme revelado pela colunista Guilherme Amado, da Revista Época, o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, integrante da Comissão de Anistia do governo federal, disparou nesta terça-feira uma mensagem de WhatsApp em que chama Carlos Bolsonaro de "pau-mandado do Olavo", referindo-se ao escritor Olavo de Carvalho.

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Questionado, o porta-voz disse que o presidente não se manifestou sobre a crítica do general.