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Atual líder do PSB no Senado, senador decepcionou o partido ao defender a posse e porte de armas, decisão que contrariou a orientação partidária

Jorge Kajuru
Agência Senado
Presidente do PSB sugere que Jorge Kajuru deixe o partido


Filiado ao PSB logo após vencer as eleições de 2018 para o Senado, o senador Jorge Kajuru já tem o seu primeiro embate com o presidente do partido, Carlos Siqueira. Na quarta-feira (26), o principal comandante da sigla sugeriu a desfiliação do político, por agir contrário a orientação partidária de não apoiar o decreto das armas do presidente Jair Bolsonaro.

Em carta, Carlos Siqueira informa que nunca teve qualquer conversa com Jorge Kajuru que demonstrasse amor e carinho e que, em sua opinião, se o senador age de forma inadequada na visão do PSB, deve pedir a desfiliação.

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No dia 21 de junho, o senador por Goiás enviou um projeto para substituir o decreto das armas e, na defesa do próprio parlamentar, seria bastante semelhante, apenas trazendo uma correção a respeito da letalidade das armas .

"O meu projeto é o mesmo projeto do presidente, apenas alterando a perigosidade, ou seja, a letalidade da potência das armas. O decreto autorizou a venda para civis de armas que, até então, só podiam ser usadas por forças de segurança, as chamadas armas de uso restrito, como os fuzis. O meu projeto de lei corrige, então, uma situação real de que a população tenha segurança, mas esteja autorizada a ter armas compatíveis com o uso civil", explicou o senador.

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Na carta, o presidente do PSB lembra Kajuru sobre o símbolo do partido - uma pomba - que segundo Siqueira, remete à defesa da paz.

"Gostaria de recordar que o PSB carrega entre seus símbolos a pomba da paz, de Pablo Picasso, porque é uma instituição pacifista desde seu nascedouro, e que, consequentemente, descrê por completo que armar a população civil possa produzir qualquer tipo de solução, mesmo para os fins de segurança".

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No mesmo documento, Siqueira sugere que o senador vá para um partido em que possa ter a liberdade para defender agendas políticas que lhe pareçam mais adequadas.

"Deve merecer atenção de V.Exa. se não seria mais adequado dar prosseguimento ao mandato sem manter vínculo de filiação com o PSB ou, eventualmente, se filiando a instituição partidária que possa lhe propiciar total liberdade, para se comprometer com as agendas políticas que lhe pareçam as mais adequadas a suas perspectivas".

Jorge Kajuru ainda não se pronunciou sobre a carta de Carlos Siqueira. O senador eleito por Goiás em 2018 é o atual líder do partido no Senado.