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Deputado exaltou dedicação do ministro exonerado na quinta-feira, mas ressaltou que respeita a decisão tomada pelo presidente Bolsonaro

Davi Alcolumbre
Moreira Mariz/Agência Senado
Davi Alcolumbre terá que dar explicações sobre sigilo em gastos de verbas e gabinete dos senadores

O presidente do Senado , Davi Alcolumbre (DEM-AP), lamentou a demissão do general  Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo da Presidência da República. Segundo ele, o agora ex-ministro "estava ajudando muito".

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Alcolumbre escreveu no Twitter que Santos Cruz era "muito bom" e "dedicado" no cargo, sem detalhar a referida colaboração do ex-ministro. Ressalvou, em seguida, que cabe ao presidente o poder de nomear e exonerar ministros.

"O Santos Cruz é muito bom, dedicado, estava ajudando muito, mas quem tem o poder de nomear tem o poder de exonerar. É assim que funciona!", destacou aos seguidores.
O deputado destacou que o Brasil é formado por três Poderes "que atuam de forma equilibrada e independente entre si". Neste contexto, ele ressaltou que a atribuição de nomear e demitir ministros "é exclusiva do presidente".

"Cabe a mim respeitar a decisão tomada pelo Executivo", escreveu Alcolumbre na rede social.
A decisão da demissão foi atribuída por um auxiliar direto do presidente a uma "falta de alinhamento político-ideológico" e embates com outros integrantes do próprio governo.

Santos Cruz foi comunicado de sua saída em uma reunião com o presidente, da qual também participaram os ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. Assume o cargo o general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, comandante militar do Sudeste. É  a terceira demissão de um ministro em menos de seis meses de gestão.

Sob ataque

Em  carta divulgada no início da noite de quinta-feira, Santos Cruz deixou claro que sai do cargo "por decisão" de Jair Bolsonaro . Ele fez agradecimentos e, no final, desejou ao presidente e familiares "saúde, felicidade e sucesso". O general foi alvo de ataques da ala ideológica do governo ( relembre as crises ).

Há um mês, após passar o dia sob ataques nas redes sociais — a hashtag #ForaSantosCruz se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter —, Santos Cruz se reuniu com Bolsonaro . Na conversa no Palácio da Alvorada, o  ministro teria argumentado que não se tratava de um ato espontâneo , mas que era alvo de uma ação coordenada, com a participação dos filhos do presidente, o chefe da Secretaria de Comunicação, Fábio Wajngarten, e assessores ligados ao ideólogo Olavo de Carvalho.

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A demissão de Santos Cruz foi comemorada por integrantes do governo ligados a Olavo de Carvalho. A vitória, no entanto, não foi completa. Eles tinham a esperança que o presidente nomeasse um civil para o cargo e, assim, diminuísse o número de militares no alto escalão, mas outro general foi indicado. Em nota, o porta-voz da Presidência, Otávio Santana do Rêgo Barros, destacou que a demissão "não afeta a amizade, a admiração e o respeito mútuo" entre Santos Cruz e Bolsonaro.