Tamanho do texto

Último candidato do partido nas eleições presidenciais de 2018, Alckmin teve bens bloqueados em processo que investiga o repasse da Odebrecht

João Doria e Geraldo Alckmin
Wikipedia
Atual governador de São Paulo disse que companheiro de partido deveria se licenciar durante investigação

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (13) que o ex-presidente nacional do PSDB  Geraldo Alckmin deveria pedir licença do partido até a conclusão do processo em que é réu envolvendo delações da empreiteira Odebrecht.

Leia também: Novos trechos das trocas de mensagens entre Moro e Dallagnol são divulgados

"Todos aqueles que estão sob investigação, confiando na sua inocência, deveriam pedir licença, incluindo o governador Geraldo Alckmin", disse Doria , em entrevista ao programa Ponto a Ponto, exibido na noite de quarta na Bandnews.

Em abril deste ano, Alckmin  teve bens bloqueados no curso de uma ação por improbidade administrativa sobre suposto caixa 2 na campanha do tucano de 2014. Além dele, são réus o ex-tesoureiro de campanha Marcos Monteiro, a Odebrecht , e quatro de seus ex-executivos. Ao oferecer a denúncia, o Ministério Público apontou nove supostas entregas de dinheiro em hotéis de São Paulo para a campanha do tucano.

Na época, Alckmin classificou o bloqueio de bens como uma medida "injusta" e afirmou que recorreria da decisão. Ele tem reafirmado não ter havido caixa 2 na sua campanha.

Antes de defender o afastamento de Alckmin do partido, Doria fez diversos elogios a Alckmin e disse acreditar na inocência dele.

"Todos têm confiança na sua isenção e inocência. O governador Geraldo Alckmin é um homem de bem, correto. Conheço a sua história, ele é um homem modesto nos seus bens, postura e no pouco que pode acumular como assalariado público ao longo de 42 anos. Acredito na sua inocência", disse o governador.

Código de Ética tucano

A declaração de Doria passou a circular nesta quinta-feira em trocas de mensagens entre aliados de Alckmin.

Em maio, o PSDB  aprovou um Código de Ética para seus filiados, mas ele pune apenas condenados, e não prevê medidas para quem é investigado. A expulsão é prevista para aqueles que cometerem infidelidade partidária ou sejam condenados criminalmente.

O texto foi o último ato de Alckmin à frente da presidência do partido. Inicialmente, a comissão responsável pela elaboração das novas regras previa que réus criminais poderiam ser suspensos. Depois de pressões internas, a versão mais moderada prevaleceu e livrou de penalidades o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB-GO).

Leia também: Carlos Bolsonaro zomba Lula em código morse, mas erra ortografia e vira piada

Para Doria , a licença voluntária de filiados não deve ser vista como uma admissão de culpa por malfeitos: "Feita a defesa e concluído o processo com sua inocência, volta para o PSDB melhor e com grandeza".