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Ex-governador de São Paulo disse que eleições de 2018 foram "plebiscito sobre o PT" e que, "sem agenda", atual governo atua por "ideologização"

Geraldo Alckmin
Ciete Silvério/Divulgação - 6.9.18
Ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) foi quarto colocado nas eleições presidenciais

Quarto colocado nas eleições presidenciais de 2018, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que dará um 'pit-stop' em sua carreira política. "É 'stop', mas é 'pit'. Vamos deixar. O futuro a Deus pertence", disse o tucano em entrevista publicada nesta segunda-feira (3) pelo jornal  Folha de S.Paulo .

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Aos 66 anos de idade, Geraldo Alckmin avaliou que as eleições do ano passado configuraram um "plebiscito sobre o PT" e que Jair Bolsonaro (PSL) soube se aproveitar desse cenário, reconhendo que o PSDB "não vivia um bom momento".

"Se tivesse tido um curso mais natural, o quadro seria diferente. Na realidade, vivemos uma crise política. E houve dois fatos importantes: o impeachment da Dilma [Rousseff] e aprisão do Lula. O PT se vitimizou. Depois veio a facada do  Bolsonaro , [com quem] me solidarizei e reitero a solidariedade, mas teve impacto. No fim, foi um plebiscito sobre Lula e PT, e venceu o anti-PT. Como Bolsonaro estava na frente, o rio correu para o mar", disse à Folha .

Apesar de dizer (mais de uma vez durante a entrevista) que "não tem nada contra" o presidente, Alckmin afirmou que a falta de agenda de Bolsonaro faz com que o Brasil "perca tempo".

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"Quero dizer que não tenho nada contra o presidente, pessoalmente. Até simpatizo pelo jeito simples, mas discordo totalmente da agenda do governo, acho que está fazendo o Brasil perder tempo", afirmou. "Temos 13,2 milhões de desempregados. Cadê a agenda de produtividade? O Brasil não cresce, ficou caro para quem vive aqui, e tem dificuldade de exportação. Onde está essa agenda? [...] A questão da política externa... Uma ideologização, que não é da velha, é da antiga, da antiquíssima política. Precisa dizer para ele que o Muro de Berlim caiu faz quase 30 anos", continuou. 

Questionado sobre o futuro do PSDB e da exponência do governador João Doria como principal liderança do partido, Alckmin defendeu sua posição. "Todos os novos quadros são bem-vindos. É natural, temos que estimular", disse Geraldo Alckmin . "Quem não tiver paciência cívica não pode fazer política. Não nasci ontem. Então: paciência cívica."

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