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Presidentes da Câmara e do Senado deram entrevista em conjunto, na qual criticam a agenda do presidente e acabam rindo do ministro da Educação

Presidente da Câmara minimizou declaração de Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR
Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia demonstraram alinhamento em entrevista em conjunto a jornal, publicada hoje

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), voltaram a criticar a agenda do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e comentaram sobre como o relacionamento pessoal entre eles não deve afetar o governo. 'Ele vai ter que nos aturar por dois anos e vice e versa', disse Alcolumbre, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , publicada nesta segunda-feira (10).

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"Eu não preciso gostar do Bolsonaro nem ele gostar de mim. Mas ele vai ter que me aturar dois anos na presidência do Senado. Eu vou ter que aturar ele dois anos. Ele vai ter que aturar o Rodrigo e o Rodrigo vai ter que aturar ele", afirmou Alcolumbre. "Cada um tem que ter respeito pelo outro. Mesmo que discorde da forma como é feito o diálogo", completou Rodrigo Maia .

A entrevista ao jornal se deu em conjunto, por meio de perguntas idênticas aos presidentes das duas Casas. Na ocasião, os parlamentares aproveitaram para criticar, mais uma vez, a falta de propostas de Bolsonaro , principalmente no âmbito econômico.

"Certamente, o presidente tem uma agenda que a gente não conhece ainda”, afirmou o presidente da Câmara . Em seguida, Alcolumbre fez acréscimos. "Estamos falando da Previdência . Mas era para a gente estar em outro debate: o que fazer, ao lado das reformas, para as pessoas que estão passando fome no Brasil. Eu quero ser apresentado a alguma proposta em relação a isso", pontuou. "Alguém está falando do Minha Casa Minha Vida? Esqueceram", disse.

"Preparado ou não preparado, ele [Bolsonaro] foi eleito", continuou Alcolumbre. "Você não precisa ser preparado em vários temas para tocar uma agenda. Precisa se cercar de pessoas que possam te orientar", pontuou.

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"Do ponto de vista político, o presidente ficou 28 anos como deputado federal. Eu fico imaginando hoje boa parte do entorno, da militância dele, criminalizando a política. Não é possível. E quase três décadas como deputado é muito tempo. Era para ele ser um grande presidente na política", argumentou o presidente do Senado .

Ainda na entrevista, os dois parlamentares se posicionaram contra o decreto dar armas e as mudanças que Bolsonaro quer propor para o Código Nacional de Trânsito. Quanto a essa questão, Alcolumbre lembrou que a consultoria do Senado identificou vários extrapolamentos das atribuições presidenciais diante do documento que flexibiliza a posse de armas no País.

"Os pontos que a gente identificar, vamos votar para sustar", disse Alcolumbre . Maia concordou e disse crer que o cidadão estar armado não resolve o problema de segurança pública. "Há dados que mostram que a arma pode gerar mais violência em casa, mais violência doméstica", completou. 

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Por fim, sustentando um discurso bastante alinhado, os dois parlamentares riram quando o assunto tocou no atual ministro da Educação, Abraham Weintraub. Além disso, falaram que "do ponto de vista da capacidade e do conhecimento, ele pode ser um grande ministro para o Brasil", ainda que esteja cometendo erros. "Se tiver um musical, ele vai ser o principal ator, não vai?", afirmou  Rodrigo Maia .