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Presidente da Câmara destaca que vai discutir com líderes de partidos contribuições da Casa para o texto: "Tenho que representar a maioria"

Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre
Marcos Corrêa/PR
Presidente da Câmara minimizou declaração de Bolsonaro: "Tenho que representar a maioria da Casa"

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, reafirmou que vai discutir com os líderes dos partidos contribuições da Casa ao texto do "pacto republicano" que vem sendo debatido com o presidente Jair Bolsonaro , o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli .

"Vamos ver o que posso assinar. Tenho que representar a maioria da Casa", disse Maia , depois de  minimizar a frase de Bolsonaro de que teriamais poder "na caneta" .

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Nesta terça-feira, Maia se reuniu com Bolsonaro , com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre , e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli . Depois do encontro, o chefe da Câmara relatou a parlamentares que não houve nenhum avanço efetivo na relação entre os poderes. Ele relatou que a conversa foi genérica e manifestou incômodo de Bolsonaro ter carregado ministros para a reunião.

Maia então almoçou com líderes do centrão e em nenhum momento relatou a eles a necessidade de discutir o "pacto" anunciado com pompa pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O presidente da Câmara disse que a conversa foi protocolar e que Bolsonaro limitou-se a fazer pedido de apoio a "pautas de interesse do país", sem dar detalhes específicos de que tipo de apoio almeja.

Após as manifestações de domingo, Maia reconheceu a aliados que a narrativa martelada pelo governo e por pessoas que foram às ruas de que "o centrão quer cargos" foi bem explorada. Os acontecimentos só reforçaram a visão do presidente da Câmara, assim como de outros parlamentares, de que não é possível confiar no governo.

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A negociação para a criação de dois ministérios na tramitação da Medida Provisória 870, que tinha o aval de Jair Bolsonaro, é um exemplo do receio. O indicado para a pasta de Cidades seria o secretário de Transportes de São Paulo, Alexandre Baldy, próximo a Maia . Mesmo depois de ter conversado e apoiado a recriação da pasta, Bolsonaro recuou, sem interceder diante das acusações de que a Câmara estaria em busca do "toma lá dá cá".