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Caso com ex-diretor da Hypermarcas é o segundo pedido de rescisão de colaboração na Lava Jato; Nelson Mello pode até ser preso por corrupção

Raquel Dodge
Divulgação/ José Cruz/ Agência Brasil
PGR pede para cancelar acordo de delação de ex-diretor da Hypermarcas após detectar omissões

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o cancelamento do acordo de delação premiada do ex-diretor da Hypermarcas (atual Hypera Pharma) Nelson Mello após detectar que ele omitiu informações dos investigadores. É o segundo caso na Lava Jato de rescisão de uma colaboração – o primeiro foi dos executivos da J&F, que ainda está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF).

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O pedido de rescisão da PGR foi enviado pela procuradora-geral da República Raquel Dodge ao STF, que precisa homologar o rompimento do acordo. Caso isso ocorra, Nelson Mello perderá os benefícios, podendo ser preso pelos possíveis crimes que cometeu, como o de corrupção. Dodge pede que as provas entregues no acordo permaneçam válidas.

Mello era diretor de relações institucionais da empresa e relatou ter pagado propina a senadores do MDB por intermédio do lobista Milton Lyra, mas sem saber exatamente quem seriam os beneficiários. Em seu depoimento, ele afirmou que os pagamentos teriam ocorrido sem o conhecimento do dono da Hypermarcas, João Alves de Queiroz Filho, o Júnior.

Outros delatores, porém, entregaram provas à PGR que tiveram relacionamento direto com Júnior. O doleiro Lúcio Funaro, por exemplo, um dos operadores dos pagamentos da Hypermarcas a políticos, tinha fotos de encontros sociais com Júnior.

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Para a PGR, Nelson Mello descumpriu o compromisso de dizer a verdade, apresentou informações falsas e omitiu fatos relevantes praticados por ele. Dentre os pontos mencionados para a rescisão está o fato de ele dizer desconhecer os reais beneficiários dos pagamentos de propina destinados aos senadores do MDB. A PGR também aponta que ele deixou de entregar provas que comprovassem suas acusações.

Após as primeiras suspeitas de omissão, a Polícia Federal fez operação de busca e apreensão a pedido da PGR em abril do ano passado na residência de Nelson Mello, para encontrar provas que confirmassem essas suspeitas. A operação chegou a ser batizada de “Tira Teima” – uma referência às dúvidas que a delação havia suscitado.

A Hypermarcas decidiu mudar de nome em fevereiro do ano passado, para o atual Hypera Pharma – após o desgaste de imagem provocado pela delação de Nelson Mello. No comunicado que oficializou a mudança, a empresa disse que passou a ter o foco de atuar somente no segmento farmacêutico, do qual ela é detentora de diversas marcas.

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Procurada, a defesa de Nelson Mello afirmou que só se manifestaria sobre o assunto nos autos do processo apresentado pela PGR .