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Determinação amplia a recente quebra dos sigilos bancário e fiscal de ambos os alvos e esquenta as investigações contra o senador e filho do presidente

flavio bolsonaro
Marcos Oliveira /Agência Senado - 8.5.19
Os promotores argumentam que o acesso às notas fiscais deve auxiliar na análise da quebra do sigilo bancário dos alvos

O juiz Flávio Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, determinou que a Receita Federal forneça todas as notas fiscais de compras de mercadorias e serviços efetuadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL), pelo seu ex-assessor Fabrício Queiroz e por outros sete alvos da investigação no período entre janeiro de 2007 e dezembro de 2018.

A imposição amplia as quebras de sigilo bancário e fiscal no caso , que nesta semana elevaram a temperatura das investigações contra o filho do presidente  Jair Bolsonaro  (PSL). A nova decisão, proferida na última quarta-feira (15), é uma resposta a um novo pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro e foi revelada neste sábado (18) pela Folha de S.Paulo . O  Globo teve acesso à documentação, mantida sob sigilo.

No pedido, os promotores argumentam que o acesso às notas fiscais é importante para auxiliar na análise da quebra do sigilo bancário dos alvos. “Ocorre que, em razão das peculiaridades da investigação, torna-se igualmente necessário obter as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas em que constem os principais investigados como adquirentes, a fim de possibilitar o cruzamento com os dados bancários”, escrevem.

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Além de Flávio Bolsonaro e Queiroz , também foram alvos da medida: Márcia Oliveira de Aguiar (mulher de Queiroz), Débora Melo Fernandes (ex-mulher de Queiroz), Evelyn Melo de Queiroz, Nathalia Melo de Queiroz (ambas filhas do ex-assessor), Evelyn Mayara de Aguiar Gerbatim (enteada de Queiroz), Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro (esposa de Flávio Bolsonaro) e a empresa Bolsotini Chocolates e Café Ltda, de Flávio Bolsonaro.

As quebras de sigilo bancário e fiscal foram mais amplas e tiveram como alvos 95 personagens, dentre ex-funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro e pessoas que participaram de transações imobiliárias com ele. As suspeitas do Ministério Público no caso são do crime de peculato, por meio da devolução dos salários dos funcionários do seu gabinete, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Os promotores chegam a apontar que há indícios do funcionamento de uma “organização criminosa” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio desde 2007. As quebras de sigilo foram reveladas na segunda-feira (13) pelo Globo .